Psicomotricidade e Motricidade: Dois polos que se interligam

Por Gilmar Martins Borges | 10/03/2025 | Educação

 Psicomotricidade e Motricidade: Dois polos que se interligam

 GILMAR MARTINS BORGES 

Palavras Chaves: Psicomotricidade. Motricidade. Coordenação Motora. Criança.

Resumo: O artigo em apreço versa sobre a ligação entre a psicomotricidade e a motricidade, sendo que a primeira apresenta   uma abordagem holística que considera a pessoa como um todo, e desempenha um papel fundamental no desenvolvimento humano e na promoção do bem-estar. Já a segunda refere-se, portanto, a sensações conscientes do ser humano em movimento intencional e significativo no espaço-tempo objetivo e representado, envolvendo percepção, memória, projeção, afetividade, emoção, raciocínio. Evidencia-se em diferentes formas de expressão – gestual, verbal, cênica, plástica, etc..

Abstract: This article discusses the connection between psychomotricity and motor skills, with the former presenting a holistic approach that considers the person as a whole and plays a fundamental role in human development and the promotion of well-being. The latter refers to conscious sensations of the human being in intentional and meaningful movement in objective and represented space-time, involving perception, memory, projection, affectivity, emotion, and reasoning. It is evident in different forms of expression – gestural, verbal, scenic, plastic, etc.

Keywords: Psychomotricity. Motor skills. Motor Coordination. Child.

INTRODUÇÃO

O Doutor Manuel Sérgio Vieira e Cunha, fundador da Ciência da Motricidade Humana, como relatou em nota em seu livro “Motricidade Humana: um paradigma emergente”, destacou que essa obra apresenta   um texto que aborda a ciência da motricidade humana, que rompe com o pensamento cartesiano e adota o paradigma da complexidade. 

Logo, percebe-se que há uma corroboração com o conceito universal de motricidade como sensações conscientes do ser humano em movimento intencional e significativo no espaço-tempo objetivo e representado, envolvendo percepção, memória, projeção, afetividade, emoção, raciocínio. Que por sua vez, evidencia-se em diferentes formas de expressão – gestual, verbal, cênica, plástica, etc..

Segundo Kolyniak Filho (2002) é fundamental esclarecer o conceito de motricidade que utilizamos. Este conceito faz parte da emergente Ciência da Motricidade Humana, e tem, como uma de suas formulações, a seguinte:

Forma concreta de relação do ser humano com o mundo e com seus semelhantes, relação esta caracterizada por intencionalidade e significado, fruto de um processo evolutivo, cuja especificidade encontra-se nos processos semióticos da consciência, os quais, por sua vez, decorrem das relações recíprocas entre natureza e cultura – portanto, entre as heranças biológica e sócio-histórica. A motricidade refere-se, portanto, a sensações conscientes do ser humano em movimento intencional e significativo no espaço-tempo objetivo e representado, envolvendo percepção, memória, projeção, afetividade, emoção, raciocínio. Evidencia-se em diferentes formas de expressão – gestual, verbal, cênica, plástica, etc.. A motricidade configura-se como processo, cuja constituição envolve a construção do movimento intencional a partir do reflexo, da reação mediada por representações a partir da reação imediata, das ações planejadas a partir das simples respostas a estímulos externos, da criação de novas formas de interação a partir da reprodução de padrões aprendidos, da ação contextualizada na história – portanto, relacionada ao passado vivido e ao futuro projetado – a partir da ação limitada às contingências presentes. Esse processo ocorre, de forma dialética, nos planos filogenético e ontogenético, expressando e compondo a totalidade das múltiplas e complexas determinações da contínua construção do homem. (KOLYNIAK FILHO, 2002, p. 31-2.).

Sendo assim percebe-se que na obra de Piaget a motricidade tem papel fundamental na construção da imagem mental, ou seja, na questão da representação, e o mesmo destaca que é pela motricidade que as representações se criam e se constroem, estruturam-se e reestruturam- se.

Para Wallon (1956/1975b), o ato motor é responsável pelos deslocamentos do corpo e por seu equilíbrio. No início, os movimentos são sincréticos e, posteriormente, tornam-se controlados e ajustados às situações apresentadas pelo meio.

Paulo Freire compreendia que o sujeito aprende para se humanizar. De acordo com o educador, aprender é complemento da formação do sujeito como humano. “Se aprende na relação com o outro, no diálogo com outro, na aproximação dele com o conhecimento do outro.

Podemos destacar ainda outros teóricos que contribuíram para uma maior compreensão da psicomotricidade (disciplina que estuda a relação entre o corpo, a mente e as emoções) e motricidade (capacidade de realizar movimentos, compreendendo habilidades motoras que se dividem em dois grupos: a motricidade ampla e a motricidade fina):

·       Rosa Neto – Concluiu que a criança é capaz de formar atitudes, gestos, deslocamentos e saber o momento de desempenhar tarefas no cotidiano;

·       Oliveira - Concluiu que a criança é capaz de formar atitudes, gestos, deslocamentos e saber o momento de desempenhar tarefas no cotidiano;

·       Schmidt - Teorizou sobre a aprendizagem de habilidades motoras por meio da teoria de esquema.

 

Não obstante, devemos lembrar que a psicomotricidade é uma abordagem holística que considera a pessoa como um todo, e desempenha um papel fundamental no desenvolvimento humano e na promoção do bem-estar. 

 

Metodologia

 

A metodologia aplicada neste trabalho foi baseada na pesquisa bibliografia através de pesquisas em livros, revistas pedagógicas, sites da Internet entre outros.

Segundo Gil (1991, p.48), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos relacionados com o estudo em questão.

Sendo assim, na realização desta pesquisa bibliográfica foram utilizados os seguintes procedimentos técnicos:

 

a) Seleção bibliográfica e documentos afins à temática e em meios físicos e na Internet, interdisciplinares, capazes e suficientes para que o pesquisador construa um referencial teórico coerente sobre o tema em estudo, responda ao problema proposto, corrobore ou refute as hipóteses levantadas e atinja os objetivos propostos na pesquisa.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A psicomotricidade, conforme Fonseca, é hoje concebida como a integração superior da motricidade, produto inteligível entre a criança e o meio, instrumento privilegiado através do qual a consciência se forma e se materializa (FONSECA, 1995, p.12)

Essa integração está bem presente entre ambas, principalmente, quando fazemos algumas inferências no contexto em que estamos inseridos. Logo percebemos que: a motricidade trabalha com todos os músculos do corpo humano, possibilitando à criança desenvolver qualquer atividade e descobrir em seu corpo o que pode ou não movimentar.

[...] Ela se constitui por um conjunto de conhecimentos psicológicos, fisiológicos, antropológicos e relacionais que permitem, utilizando o corpo como mediador, abordar o ato motor humano com o intento de favorecer a integração deste sujeito consigo e com o mundo dos objetos e outros sujeitos (COSTA,2002, apud Associação Brasileira de Psicomotricidade).

 

Tojal (2004) diz que a Motricidade emerge da corporeidade como sinal de um projeto.

Pereira afirma ainda que ela constitui o aspecto fundamental da vida humana. É sinônimo de intencionalidade motora do corpo próprio, na conjugação da sensibilidade e da inteligibilidade, formando uma espécie de enovelamento, ou seja, integrando uma plena e sólida unidade complexa. Motricidade Humana, também chamada de intencionalidade operante é a intenção que opera, indelevelmente, o desvelar e o revelar do ser humano, no âmago do movimento e da experiência concreta (PEREIRA, 2006, p. 151).

Assim, como sugere Fonseca (1988), a psicomotricidade vem sendo atualizada e estudada por pesquisadores e demonstrando atividades em que a criança possa ser avaliada.

 

 BIBLIOGRAFIA

COSTA, A. psicopedagogia e psicomotricidade pontos de intersecção nas dificuldades de aprendizagem, em Petrópolis, 2002. In Associação brasileira de Psicomotricidade. O que é psicomotricidade. Disponível em: https://psicomotricidade.com.br/sobre/o-que-e-psicomotricidade/.

GONÇALVES, Maria Augusta Salin. CORPOREIDADE NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA 2.1 Reconhecendo a Corporeidade. p.14-17. 8. ed. São Paulo: Papirus, 2005. https://usj.edu.br/wp-content/uploads/2015/07/TCCp%C3%B3s-banca-4.pdf.

KOLYNIAK FILHO, Carol. Motricidade e aprendizagem: algumas implicações para a educação escolar. In:  São Paulo, Vol. 18, n.17, 2010. p. 53-66. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/cp/v18n17/v18n17a05.pdf .

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