NÁUFRAGOS
Por MARCOS INACIO CAVALCANTE | 25/07/2009 | PoesiasDe algum lugar a nave parte agora
na imensidão azul
cortando gelo vida afora
nesses ou nos mares do sul.
Na marola o destino se faz
novos dias virão,
outros ficarão para traz
quando a ancora ir ao chão.
Agora somos poucos
alguns piratas talvez
em breve estaremos loucos
porque chegará a nossa vez.
Na natureza
de cascos partidos
o fim é a única certeza
que fomos vencidos.
Nem um pensamento
tudo no fundo do oceano
Nem tesouro, nem testamento
nem a dor da escuridão, tão profano.
Mas se alguém me ouve agora
salve-me da solidão
beije-me a boca sem demora
desafoga o meu coração.
Reste-me na areia
faça-me feliz, tire-me desse mar
seja minha sereia
e ensine-me a amar.
Ponha-me na garrafa, escreva uma carta
me jogue no oceano, deite-me no jeriquixa
mande-me para África ou Jacarta
coloque-me no iguara ofereça a Iemanjá ou algum orixá.