Greve e Consciência Crítica: A Educação que Vai Além da Sala de Aula
Por wallas cabral de souza | 11/03/2025 | Educação
Greve e Consciência Crítica: A Educação que Vai Além da Sala de Aula
Autor: Wallas Cabral de Souza
A educação não se limita à sala de aula; ela está presente em todas as esferas da vida. No atual cenário de greve, há uma grande oportunidade para desenvolver o pensamento crítico e a consciência cidadã, habilidades fundamentais previstas na BNCC. No entanto, para que esse aprendizado seja real e significativo, é necessário refletir sobre as escolhas individuais e coletivas que afetam diretamente a qualidade do ensino.
Para ilustrar essa questão, pensemos em dois médicos que trabalham no mesmo hospital. O primeiro médico recebe seus pacientes com atenção, analisa o histórico, faz perguntas, explica o diagnóstico e busca oferecer um tratamento completo, considerando o bem-estar integral da pessoa. Já o segundo médico, sem dar muita atenção, apenas faz algumas perguntas rápidas, ri de um comentário aleatório e receita um medicamento genérico sem ao menos investigar melhor o caso. Ambos exercem a profissão, mas qual deles realmente está comprometido com a saúde e com o direito do paciente a um atendimento digno?
O mesmo acontece na educação. Há aqueles que compreendem que ensinar vai além da sala de aula e envolve a construção de um pensamento crítico, o desenvolvimento social e o compromisso com um ensino de qualidade. Outros, porém, se limitam ao cumprimento de horários e a um ensino superficial, que apenas preenche o tempo sem transformar a vida dos alunos.
Pense agora em dois amigos. Um deles se preocupa com o outro, está presente nos momentos difíceis, dá conselhos e apoia nos desafios. O outro, no entanto, só aparece quando precisa de algo, usufrui do que o amigo oferece, mas nunca está disposto a retribuir o cuidado. Essa relação seria justa? Se uma amizade baseada apenas no interesse não é considerada verdadeira, por que na luta pelos direitos essa lógica seria diferente?
Esses exemplos demonstram que qualquer movimento por direitos e melhorias exige engajamento e compromisso coletivo. Em um ambiente escolar, a greve dos professores não é uma paralisação sem propósito, mas sim uma reivindicação legítima por melhores condições de ensino e valorização profissional. Aqueles que participam da greve assumem um compromisso que vai além do individual, enquanto outros, por diferentes razões, optam por manter as atividades normais e ainda assim se beneficiam dos avanços conquistados pela mobilização.
Outro ponto a ser refletido é a relação entre ensino e entretenimento. O aprendizado eficaz não está na mera distração ou no encantamento momentâneo, mas na construção do conhecimento sólido e crítico. A qualidade do ensino não se mede apenas pela continuidade das aulas, mas pelo compromisso com uma formação que vá além da repetição de conteúdos.
A BNCC prevê, em suas diretrizes, a formação de cidadãos críticos, éticos e participativos. A greve, enquanto fenômeno social, poderia ser trabalhada em diversas disciplinas para desenvolver essas competências. Afinal, o letramento crítico não deve ser apenas um conceito teórico incluído no planejamento pedagógico para atender às exigências da Secretaria de Educação, mas sim um compromisso real com a honestidade no processo de aprendizagem.
Esse é um momento para reflexão: estamos apenas recebendo informações ou aprendendo integralmente para uma transformação social?