FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL: ESTRUTURA, RESPONSABILIDADES E FISCALIZAÇÃO DOS RECURSOS PÚBLICOS

Por Júlio Henrique Domingues de Freitas | 04/04/2025 | Educação

FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL: ESTRUTURA, RESPONSABILIDADES E FISCALIZAÇÃO DOS RECURSOS PÚBLICOS

 

Por: Júlio Henrique Domingues de Freitas

 

A educação pública brasileira é financiada por uma complexa rede de fontes e programas que envolvem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Cada ente federativo tem papel e obrigações específicas, desde o pagamento do salário de professores até a oferta da merenda e transporte escolar. Neste artigo, explicamos detalhadamente como funciona o financiamento da educação no Brasil, quais tipos de recursos são repassados às escolas, como eles podem ser utilizados, quem é responsável por fiscalizar cada etapa do processo e como o diretor escolar deve proceder para aplicar corretamente esses recursos.

 

🏛️ 1. Como funciona o financiamento da educação pública?

A Constituição Federal determina que os entes federativos devem aplicar percentuais mínimos de suas receitas em educação:

  • União: 18% da receita de impostos.

  • Estados e Municípios: 25% da receita de impostos e transferências constitucionais.

Esse montante é distribuído para custear desde infraestrutura escolar, formação de professores, material pedagógico, até alimentação e transporte escolar, passando também pelo pagamento dos salários dos profissionais da educação.

 

📦 2. Principais fontes e programas de financiamento

📌 2.1 FUNDEB – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica

  • Principal fonte de financiamento da educação básica.

  • Reúne impostos de Estados e Municípios com complementação da União.

  • Distribuído com base no número de matrículas e indicadores socioeconômicos.

Distribuição obrigatória:

  • 70%: Pagamento dos profissionais da educação.

  • 30%: Outras despesas educacionais (infraestrutura, material, merenda, transporte, etc.).

 

📌 2.2 PDDE – Programa Dinheiro Direto na Escola

  • Gerenciado pelo FNDE, o PDDE transfere recursos diretamente às escolas para apoiar:

    • Pequenas reformas;

    • Compra de materiais didáticos, de limpeza e de expediente;

    • Aquisição de equipamentos como ventiladores, fogões, impressoras etc.

 

🧑‍🏫 3. Como o diretor escolar deve usar os recursos federais?

O uso do recurso federal direto na escola (como o PDDE) segue etapas legais e administrativas obrigatórias, conforme orientação do FNDE:

 Etapas para uso do PDDE e similares:

  1. Verificar saldo disponível

    • A escola consulta o valor no PDDEWeb ou Plataforma +Brasil.

  2. Planejamento com o Conselho Escolar

    • Elaborar um plano de aplicação;

    • Listar prioridades com base nas necessidades reais da escola.

  3. Coletar no mínimo 3 orçamentos

    • De empresas diferentes, com CNPJ válido;

    • Os orçamentos devem conter descrição clara, validade e assinatura.

  4. Exigir certidões negativas dos fornecedores

    • Receita Federal;

    • FGTS (CRF);

    • CNDT (Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas).

  5. Realizar a compra ou contratação do serviço

    • Sempre com nota fiscal ou recibo formal;

    • Pode ser pago via transferência, cheque nominal ou PIX da conta específica.

  6. Arquivar todos os documentos

    • Plano de aplicação;

    • Atas do Conselho Escolar;

    • Orçamentos;

    • Certidões;

    • Notas fiscais e comprovantes de pagamento.

  7. Prestar contas

    • Via sistema SIGPC (Sistema de Gestão de Prestação de Contas);

    • Com relatório assinado pelo gestor e aprovado pelo Conselho Escolar.

 

 Gastos proibidos com o PDDE:

  • Pagamento de salários;

  • Festas, brindes ou prêmios;

  • Compra de bebidas alcoólicas;

  • Gastos sem comprovação legal (sem nota fiscal ou sem orçamentos).

 

🥣 4. Outros Programas Federais

📌 PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar

  • Recursos para a merenda escolar.

  • 30% obrigatoriamente aplicados em alimentos da agricultura familiar.

📌 PNATE – Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar

  • Apoio para custear transporte escolar de alunos da zona rural.

  • Pode pagar combustível, manutenção e contratação de transporte terceirizado.

 

💼 5. Quem paga o salário dos professores?

  • Municípios: Professores da Educação Infantil e Ensino Fundamental I.

  • Estados: Professores do Fundamental II e Ensino Médio.

  • União: Professores de universidades e institutos federais.

Todos utilizam, majoritariamente, recursos do FUNDEB para essa finalidade.

 

🔍 6. Quem fiscaliza os recursos educacionais?

A fiscalização ocorre em três níveis:

Nível

Responsáveis

O que fazem

Controle Interno

Secretarias de Educação

Conferem documentos, aprovam compras

Controle Externo

TCU, TCEs, CGU

Auditam legalidade e correta aplicação dos recursos

Controle Social

Conselhos Escolares, CACS, CAE

Acompanham o uso do dinheiro na escola e aprovam contas

 

📋 7. Resumo por ente federativo

Atribuição

Município

Estado

União

Educação Infantil / EF I

Responsável

Apoia

Complementa

EF II e Ensino Médio

Apoia

Responsável

Complementa

Salário dos Professores

FUNDEB + recursos próprios

FUNDEB + recursos próprios

Orçamento federal

Merenda Escolar

Complementa PNAE

Complementa PNAE

FNDE (PNAE)

Transporte Escolar

Complementa PNATE

Complementa PNATE

FNDE (PNATE)

Apoio Direto à Escola

Gasto via PDDE

Gasto via PDDE

FNDE

 

 Conclusão

O financiamento da educação pública no Brasil envolve múltiplos atores e regras rigorosas. Além de conhecer os programas e fontes de recursos, é fundamental que gestores escolares — especialmente diretores — conheçam cada etapa do uso legal desses recursos, desde o planejamento até a prestação de contas. O uso responsável e transparente do dinheiro público é essencial para garantir qualidade no ensino, dignidade para professores e aprendizado para os estudantes.