A reeleição da presidenta Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), põe em xeque uma discussão sobre gênero e representatividade política que não se encerra com a contagem dos votos nas urnas eletrônicas. O que significa ter uma mulher no cargo político mais prestigiado e cobiçado do país? A eleição de 2014 foi marcada por uma série de debates, verdadeiros confrontos que atravessaram as barreiras ideológicas e partidárias sobre os encaminhamentos políticos para o Brasil. Trouxe ao público denúncias de todas as esferas, desde as “tradicionais” denúncias de corrupção e nepotismo à questão da violência contra a mulher, que foi duramente reprisada nos embates da campanha política. A interpelação massiva pelas redes sociais sobre a veiculação de imagens de agressões e narrativas que ansiavam silenciar as mulheres foi duramente rebatida por anônimos, movimentos sociais, artistas, intelectuais e eleitores que desabonavam qualquer conduta de opressão à voz feminina. Sendo uma campanha marcada pela forte presença feminina, em 2014 as presidenciáveis Dilma Rousseff, Marina Silva e Luciana Genro trouxeram o respeito à dignidade feminina na pauta das abordagens políticas evidenciando a necessidade de amplitude na política nacional. Que a mulher vem angariando visibilidade social e política é notável. A reeleição da presidenta Dilma traz consigo preconceitos sobre a confiabilidade da administração pública por uma mulher, pois atividades ligadas a cargos de poder sempre estiveram relacionadas ao universo masculino, para as mulheres primavam uma concepção de desenvolvimento do papel de companheira de luta, da primeira-dama, dos cargos representativos, das esferas menos prestigiadas. Ter uma mulher no poder significa desestruturar esse pensamento colonial, reducionista, sexista que enquadra homens e mulheres socialmente a sua condição sexual sob a perspectiva puramente biológica de gênero. A reeleição de Dilma, embora conflituosa, traz uma redefinição da relação de poder e gênero no país. Os resultados denotam uma reafirmação que o povo compreende que mulheres e homens se equiparam, ou pelo menos deveriam, em direitos e habilidades para gerir um país da importância multicultural e econômica que é o Brasil. Essa eleição representa ganhos nas lutas por equidade de gênero. Eleitores votaram em candidatos à maior representatividade política do país, e os resultados implicam na credibilidade e recusa aos candidatos, estando imbricada a escolha política para além da complexa relação de gênero e representatividade, outras questões despontam. Que mais questões se apresentam?

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