Terceiro setor

ONG investigada:

Ação Afirmativa

I - Caracterização:

Histórico:

A Ong Ação Afirmativa foi criada em Março de 2001, por iniciativa de um grupo de estudantes de Artes, de diversas Universidades de São Paulo, essa iniciativa se deu através de trabalhos voluntários realizados pela mãe de um de seus membros em um dos abrigos de são Paulo.

Partindo desse principio (o de ajudar ao próximo) esses estudantes resolveram se organizar e fundar a Ong.

Que foi construída com a base apoiada nas áreas pedagógica, social e cultural, cresceram e se desenvolveram com a filosofia que gerou a sua missão, ampliando a capacidade do cidadão de sonhar e botar inteligência pra funcionar sempre proporcionando bem estar ao outro.

A ONG se estabeleceu na Zona leste de São Paulo no Bairro de Itaquera, zona leste da cidade de São Paulo. Com população total de 165.000 habitantes (IBGE, 2000), dos quais 55.556 estão na faixa etária entre zero e 19 anos, a região tem o Índice de Desenvolvimento Humano (ONU/ PNUD, 2002) é avaliado como “baixo”; está entre as piores classificações na escala de problemas e urgências da capital paulista no Mapa da Exclusão/ Inclusão Social (PUC-SP/ Pólis, 2000); e, no Índice de Vulnerabilidade Juvenil (SEADE, 2002), a situação é crítica, aparece entre aqueles que mais necessitam de cuidados especiais. A renda familiar indica que o cenário econômico da região também necessita de cuidados e atenção especial. Cerca de 20% dos chefes de família não possuem qualquer renda e 42,5% possuem uma renda que não ultrapassa os três salários mínimos.

A Ong Ação Afirmativa trabalha com os bairros de Itaquera, Lajeado e São Miguel, o que soma um total de 61 mil habitantes, cercados por favelas e comunidades afetadas por uma das piores realidades sociais da cidade de São Paulo.

II – Análise Teórica:

A - Como funciona

Fortalecendo as oportunidades de aprendizado pela convivência social, e a ampliação do repertório cultural, aquisição de informações e pelo acesso e uso de novas tecnologias, A Ong Ação Afirmativa, mantém o Programa Núcleo Sócio Educativo atendendo 150 crianças e adolescentes “abrigados”, com aulas de segunda a sexta-feira, sempre em horário complementar ao escolar, na área de Artes (Dança, Musica Teatro e Artes Plásticas). Na grade de atividades, temas como educação ambiental, Dança, artes plásticas, Educação Musical (musicalização) e Teatro. Tudo com acompanhamento de um educador referência (oficineiro), que segue os alunos em todas as oficinas, “costurando” os conhecimentos adquiridos e fortalecendo o processo de aprendizado.

A Ong Ação Afirmativa conta com um numero significativo de oficineiros, são 80 no total e cada grupo de vinte trabalha dentro de um eixo temático dentro da área Artes (dança, musica, teatro e artes plásticas); cada um desses profissionais trabalha como voluntário, sendo que esse ano de 2007, a Ong conseguiu um patrocínio significativo podendo então proporcionar a esses profissionais uma remuneração durante o período de 2007.

Todos os voluntários são formados em Artes (diversos eixos) e/ou estão para se formar, e todos eles ao ingressarem passam por um processo de capacitação pedagógica e psicológica para verificar se há realmente a capacidade e a vontade e talvez até aptidão para ser voluntário.

A Ong desde sua fundação até o ano de 2006 trabalhou com recursos próprios, ou seja, contava apenas com recursos que cada um de seus membros depositava mensalmente em uma conta poupança e também com doações que eram arrecadadas das empresas do entorno dos abrigos. Mas desde janeiro de 2007 a Ong ganhou o patrocínio da Empresa Faber Castell que tem como base ser uma empresa que trabalha com responsabilidade social e tem o projeto: Projeto Contribuinte da Cultura, coordenado pela Fundação Theodoreto Souto, que visa a promoção da cultura nas mais diversas formas e em todas as camadas sociais.

Esse projeto ajuda financeiramente cinco entidades que provarem a sua real necessidade e mostrarem que são capazes de administrar e prover recursos para dar a suas crianças o que há de melhor em educação e cultura.

A Ong ganhou um valor em dinheiro de 500.000 R$ e ajuda em material escolar durante o período letivo de seus alunos, fazendo com que seus oficineiros pudessem também ter uma remuneração.

 

B - Projeto Pedagógico

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96), que prevê a autonomia pedagógica e a participação da comunidade na gestão escolar, a Ong Ação Afirmativa galga seus passos apoiada em três leis principais para trilhar seus projetos que são elas:

Os Quatro Pilares da Educação são quatro princípios definidores da estratégia de promover a educação como desenvolvimento humano.

São os seguintes os Quatro Pilares:

         *        Aprender a Ser
         *        Aprender a Conviver
         *        Aprender a Fazer
         *        Aprender a Conhecer (Aprender)

Os Quatro Pilares foram definidos, no merecidamente famoso Relatório da Comissão Internacional sobre a Educação no Século XXI para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization - UNESCO), do qual formam o núcleo principal. A noção de educação como desenvolvimento humano define o objetivo maior da educação como a construção, pelas pessoas, de competências e habilidades que lhes permitam alcançar seu desenvolvimento pleno e integral. Os Quatro Pilares servem, em seu conjunto, como princípio organizador nesse processo de construção de competências e habilidades.

Apóia-se também na ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), principalmente no que diz respeito ao Capítulo IV (Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer) Art. 53. No Capítulo II (Da Prevenção Especial Seção I Da informação, Cultura, Lazer, Esportes, Diversões e Espetáculos) Art. 74. Onde diz que a criança tem direito. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

II - direito de ser respeitado por seus educadores;

III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo

        Recorrer às instâncias escolares superiores;

IV - direito de organização e participação em entidades estudantis;

V - acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência.

 

Parágrafo único. É direito dos pais ou responsável ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais.

Toda criança ou adolescente terá acesso às diversões e espetáculos públicos classificados como adequados à sua faixa etária.

E por fim apóia-se na declaração Universal dos direitos da criança

 Princípio I - Á igualdade, sem distinção de raça religião ou nacionalidade.

  • A criança desfrutará de todos os direitos enunciados nesta Declaração. Estes direitos serão outorgados a todas as crianças, sem qualquer exceção, distinção ou discriminação por motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de outra natureza, nacionalidade ou origem social, posição econômica, nascimento ou outra codição, seja inerente à própria criança ou à sua família.

Princípio II - Direito a especial proteção para o seu desenvolvimento físico, mental e social.

  • A criança gozará de proteção especial e disporá de oportunidade e serviços, a serem estabelecidos em lei por outros meios, de modo que possa desenvolver-se física, mental, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade. Ao promulgar leis com este fim, a consideração fundamental a que se atenderá será o interesse superior da criança.

Princípio III - Direito a um nome e a uma nacionalidade.

  • A criança tem direito, desde o seu nascimento, a um nome e a uma nacionalidade.

Princípio IV - Direito à alimentação, moradia e assistência médica adequadas para a criança e a mãe.

  • A criança deve gozar dos benefícios da previdência social. Terá direito a crescer e desenvolver-se em boa saúde; para essa finalidade deverão ser proporcionados, tanto a ela, quanto à sua mãe, cuidados especiais, incluindo-se a alimentação pré e pós-natal. A criança terá direito a desfrutar de alimentação, moradia, lazer e serviços médicos adequados.

Princípio V - Direito à educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente.

  • A criança física ou mentalmente deficiente ou aquela que sofre da algum impedimento social deve receber o tratamento, a educação e os cuidados especiais que requeira o seu caso particular.

Princípio VI - Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade.

  • A criança necessita de amor e compreensão, para o desenvolvimento pleno e harmonioso de sua personalidade; sempre que possível, deverá crescer com o amparo e sob a responsabilidade de seus pais, mas, em qualquer caso, em um ambiente de afeto e segurança moral e material; salvo circunstâncias excepcionais, não se deverá separar a criança de tenra idade de sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas terão a obrigação de cuidar especialmente do menor abandonado ou daqueles que careçam de meios adequados de subsistência. Convém que se concedam subsídios governamentais, ou de outra espécie, para a manutenção dos filhos de famílias numerosas.

Princípio VII - Direito á educação gratuita e ao lazer infantil.

  • O interesse superior da criança deverá ser o interesse diretor daqueles que têm a responsabilidade por sua educação e orientação; tal responsabilidade incumbe, em primeira instância, a seus pais.
  • A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito.
  • A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares. Dar-se-á à criança uma educação que favoreça sua cultura geral e lhe permita - em condições de igualdade de oportunidades - desenvolver suas aptidões e sua individualidade, seu senso de responsabilidade social e moral. Chegando a ser um membro útil à sociedade.

Princípio VIII - Direito a ser socorrido em primeiro lugar, em caso de catástrofes.

  • A criança deve - em todas as circunstâncias - figurar entre os primeiros a receber proteção e auxílio.

Princípio IX - Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho.

  • A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono, crueldade e exploração. Não será objeto de nenhum tipo de tráfico.
  • Não se deverá permitir que a criança trabalhe antes de uma idade mínima adequada; em caso algum será permitido que a criança dedique-se, ou a ela se imponha, qualquer ocupação ou emprego que possa prejudicar sua saúde ou sua educação, ou impedir seu desenvolvimento físico, mental ou moral.

Princípio X - Direito a crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.

  • A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa, ou de qualquer outra índole. Deve ser educada dentro de um espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universais e com plena consciência de que deve consagrar suas energias e aptidões ao serviço de seus semelhantes.

 E tem como principal norteador a gestão participativa, onde todos podem opinar na produção do projeto e em como ele será executado.

Todos os oficineiro (de acordo com o Estatuto), tem direito a participar das assembléias que são feitas de quinze em quinze dias e também nas discussões pedagógicas.

III – Conclusão do Grupo:

O Grupo acredita que A arte e a cultura no terceiro setor tem acompanhando o crescimento de ONGs que trabalham voltadas para a periferia, cresce também o número das que promovem arte e cultura, em detrimento daquelas com foco na profissionalização. Segundo o coordenador do RITS, a explicação para este fato reside no poder de escolha das pessoas. “Muita gente quer criar ONGs para pobres continuarem pobres. Cursos de: marcenaria, corte e costura inglês são importantes também, mas é preciso procurar saber o interesse das pessoas, suas escolhas porque assim as coisas não ficam impostas. Se existe interesse nas comunidades por capoeira, pagode, rap, percussão, teatro, eles devem ser atendidos. As de profissionalização normalmente são impostas”.
A mudança de foco da profissionalização para a cultura na periferia pode estar relacionada, segundo a antropóloga Clarice Libânio[i], a resultados pouco eficazes dos cursos profissionalizantes na empregabilidade e melhoria da renda dos alunos envolvidos. Em geral relacionados a áreas de baixa qualificação e baixos salários, os cursos oferecidos não contribuíam, em sua maioria, para a mudança do “status quo”.
Por outro lado, e na contramão deste processo, a cultura foi superestimada. “Antes quase todas as instituições presentes na periferia ofereciam estes cursos profissionalizantes, sem fazer um trabalho de encaminhamento profissional, funcionando como paliativos. As opções de profissões eram aquelas pouco valorizadas”.

Hoje ainda existem as instituições que oferecem cursos profissionalizantes, mas são focadas somente neste objetivo. Por outro lado, o valor da cultura foi superestimado e foram atribuídas a ela umas séries de papéis que, às vezes, ela não tem como suprir: capacitar os jovens, garantir sua inserção social, acabar com a violência, combater o tráfico, carregando uma responsabilidade exagerada.

Acreditamos que a Ong Ação Afirmativa faz sua parte no que diz respeito ao trabalho com Arte e Cultura na Periferia e ainda atende a uma população que possivelmente ficaria a margem de tudo o que esta acontecendo em São Paulo, ela proporciona passeios, estudos do meio e a própria vivencia em arte de acordo com a metodologia triangular de Ana Mãe Barbosa: o fazer artístico, a leitura da imagem e a contextualização histórica da arte.

Entendemos  que a arte é capaz de fazer flexibilizar pensamentos e relações onde o criador é sempre capaz de conectar e mudar as interações produzidas no mundo das artes pré-concebida. Percebe as transformações e se percebe transformador. Ele se faz um solucionador de problemas e é essa capacidade que o torna apto a criar e a superar os seus próprios limites em seu processo de tensão.

E se a Ong Ação Afirmativa continuar prestando esse serviço para a sociedade acreditamos que em breve teremos mais seres pensantes e questionadores do mundo ao seu redor.

IV – Anexos

A - Informativo sobre a situação dos abrigos na região de são Paulo de 2003.

 

B – Balanço de resultados de 2006.

 

Resultados 2006

767– Famílias Atendidas
500 – pessoas atendidas indiretamente
850 – Empréstimos de Brinquedos da nossa Brinquedoteca
650 - Empréstimos de Livros da nossa Biblioteca
230 – Voluntários em nosso banco de dados
51 – Jovens inseridos no mercado de trabalho – Programa de Formação de    Jovens
04 – Jovens entraram para a universidade
300 – Educadores multiplicadores ( ex internos) capacitados

 

C – Certificados Adquiridos:

Centro de Voluntariado 2005
Selo Organização Parceira pelo Programa de Voluntariado

 

 

D – Parceiros:

 

Parceiros  Ouro:

 

Faber Castell (Fundação Theodoreto Souto)

 

 

Parceiros  Prata:

 

Rede de Supermercado Carrefour

 

Fisher Price

 

Johnson & Johnson

 

Parceiros  Bronze:

 

Conselho Tutelar (região Leste de São Paulo)

Coordenadoras dos Abrigos

Ong Ação Educativa

Instituto Ivoz

 

V - Referencias:

 

  • GOHN, Maria da Gloria. Educação não formal e cultura política: impactos sobre o associativismo do terceiro setor. 2ed. São Paulo, Cortez,2001.

 

  • LUCK, Heloisa. Metodologia de Projetos. Petrópolis, R. J.: Vozes, 2003.

 

  • RICO, Elizabeth Melo. (org). Avaliação de Políticas Sociais. São Paulo, Vozes, 1998.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VI – Entrevista Semi – Estruturada:

 

A entrevista foi feita com Natália Lípolis uma das gestoras da Ong Ação Afirmativa.

 

  1. Nome, Endereço, Contato, e-mail, telefone:

Meu nome é Natalia Lipolis, tenho vinte e cinco anos e sou formada em Dança pela Universidade Anhembi Morumbi desde 2002. Trabalho como Gestora da Ong Ação Afirmativa desde a sua formação e também supervisiono os outros educadores na área de dança que é mais a minha “praia” e de vez enquanto ministro as aulas também, meus contatos são: e-mail: nlippolis@gmail.com e meus tels: 64.21.88.74 e / ou 81169805 e tel. os telefones da Ong, mas eu pessoalmente sempre fico mais nos abrigos trabalhando com as crianças, quem fica na Ong é nossa secretaria Marina e também de vez enquando nosso contador Norberto. Mas podem ligar pra lá pois sempre tem alguém.

O endereço da Ong é Rua Goínas Santas, 28 Itaquera – SP Fone: 65.32.11.87 Fax: 65.31.21.88

 

  1. Justificativa da Fundação:

A Ong foi formada por que tínhamos uma grande vontade de fazer algo legal pras crianças, mas não sabíamos muito bem o que nem como.

Tudo começo com a mãe da Pritty a Dona Cléo,  que sempre levava bolos e doces pras crianças do abrigo Casa Crescer e Brilhar, no bairro do Lajeado, zona leste, no dia das crianças e a Pritty sempre ia junto pra fazer uma atividade ou brincadeira, daí a coisa foi crescendo por que a Pritty sozinha já não estava dando conta de ir lá , ela me chamou pra ajudar a fazer uma bagunça pras crianças,  eu fui, daí chamou o Marco que também foi e depois chamou a Leca que chamou o Fabio, daí essas cinco pessoas começaram a ir sempre que dava, só que nesse meio tempo encontramos um ser de luz chamado Sandra Meirelles Fonseca, ela e´ a coordenadora do abrigo Crescer,  que nos chamou pra uma reunião e nos disse que o Governo tinha uma verba destinada a área social/cultural e  que era pra ser aplicada dentro dos abrigos mas que ela só poderia nos repassar se nós nos institucionalizássemos foi ai que tivemos a idéia de nos juntar e fundar a Ong mas ninguém sabia de nada muito menos como funcionava uma Ong, quem procurar ou o que fazer. Foi então que a Sandra nos deu o “caminho das pedras” nos deu todos os nomes de pessoas a quem recorrer cursos que tínhamos que fazer documentos que teríamos que ter, aonde ir, ou seja, tudo mesmo que deveríamos saber pra poder fazer nosso trabalho de maneira mais segura pra nós também né.

E a partir disso desde Março de 2001 quando ela foi legalmente instituída trabalhamos juntos pra tentar deixar as crianças mais felizes já que elas lá estão privadas de seu contato social.

 

 

 

 

  1. Caracterização do Espaço:

Bom nossa sede até o ano de 2006 era na casa de cada um de nós, claro que na documentação usamos o endereço do Fabio, pois era o único que tinha as condições necessárias para tal.

Mas desde janeiro desse ano compramos uma casa no bairro de Itaquera, uma casa (sobrado) de 4 quartos, sala, cozinha e 2 banheiros e um quintal ao fundo e uma garagem na frente, essa agora é a nossa sede lá é onde fazemos nossas reuniões onde ficam nossos arquivos, documentos e todo nosso material de trabalho e dos oficineiros também.Contamos com 3 computadores um arquivo manual e um banco de dados virtual, temos uma secretaria executiva e um contador, e claro uma secretaria para assuntos de limpeza.Compramos essa casa  porque conseguimos o patrocínio da Faber Castell, que foi fundamental para o fomento da nossa empreitada, essa casinha que chamamos carinhosamente de “cafofo”, e lá montamos uma biblioteca que conta com um acervo de 200 livros infantis comprados e doados e também com uma brinquedoteca com uma media também de 200 brinquedos que conseguimos através de doação da empresa Fisher Price, todas as nossas crianças tem acesso ao nosso acervo já que trabalhamos nos abrigos levamos a maioria deles pra lá.

 

 

  1. População Atendida:

Trabalhamos hoje com três abrigos e atendemos uma média de 150 crianças por mês, trabalhamos com Artes (nos quatro eixos: Dança Musica Teatro e Artes Plásticas) onde cada um dos gestores é responsável por um setor, assim nossa trabalho fica mais fácil, sempre que há algum problema nós reunimos o conselho e discutimos, temos até um conselho jovem que foi formado pelos adolescentes dos três abrigos pra nos ajudar nas decisões.

Trabalhamos em parceria com o conselho tutelar, de São Paulo, que nos auxilia nos trabalhos com as crianças.

Nosso público é de  crianças abrigadas, ou seja, crianças que foram retiradas dos pais por maus tratos, essas famílias na sua grande maioria são denunciadas pelo disque denúncia e há uma diligencia ( nessa delegação vão em geral 3policiais quer dizer uma viatura da policia, uma assistente social, uma psicóloga e se necessário uma das diretoras do abrigo) que vão ao local e retira as crianças das suas casas.

Eu pude acompanhar uma dessas, algumas vezes, e não é uma situação muito legal de se ver, pois mesmo sendo mal tratadas as crianças não querem sair da companhia dos pais e muitas vezes a assistente social arranca as crianças do colo das mães e ou parentes é uma situação muito difícil e quando elas chegam nos abrigos estão sem nada sem nenhuma referencia de nada sem seus pertences seus brinquedos nada! Então elas passam lá um período de 3 meses em reclusão ou seja sem nenhum contato com suas famílias enquanto isso os pais ou responsáveis estão passando por todos os tramites legais pra tentar reaver a guarda dessas crianças por elas estão aquarteladas ou seja estão sob a segurança do Estado, se os pais passarem por tratamentos psiquiátricos e ou psicológicos e demonstrarem que estão aptos a ter novamente a guarda as crianças depois desses 3 meses voltam pra casa, mais ainda sob proteção da justiça e continuam com o tratamento, senão elas ficam no abrigo por mais 3 meses e os pais podem entrar com uma ação na justiça e tem mais um monte de processos que se seguem, claro que a criança tem um limite ela pode ficar no abrigo até os 17 anos e 11 meses pois quando completam a maioridade tem que sair e ( diz o governo estão prontas pra se “virar” sozinhas”), mas temos uma grande maioria de crianças ai que acabam voltando pras famílias mesmo sendo mau tratadas e mais um monte que acabam caindo na marginalidade e temos uma pequena quantidade de crianças que conseguiu sobreviver a tudo isso e montar sua família e seguir seu caminho.

  1. Projetos Educacionais:

Nós trabalhamos com o Programa Núcleo Sócio Educativo, que prevê que as crianças abrigadas recebam aulas de acordo com suas faixas etárias dentro do abrigo ou em escolas conveniadas, mas que as aulas extras curriculares deverão ser ministradas dentro dos mesmos.

Por isso nos baseamos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96), nos parâmetros curriculares nacionais e também nos temas transversais, que mudou o conceito de Educação artística para Artes contemplando os quatro Eixos (Artes Plásticas Dança Musica e Teatro) nós damos conta de ministrar as aulas para as crianças dentro desses quatro eixos e abordando as temáticas de acordo com a faixa etária.

Temos reuniões pedagógicas quinzenais e trabalhamos por projetos que são tematizados todo começo de semestre.

Como nosso público é rotativo trabalhamos por amostragem para saber o real aprendizado e desempenho das crianças e quando tudo dá errado nos reunimos e mudamos tudo “aqui é sempre uma grande aventura” porque às vezes o que você prepara nem sempre é o que você vai aplicar, só citando um exemplo eu estava preparada para ministrar uma aula de dança contemporânea para as crianças de 07 a12 anos e derrepente quando cheguem à sala todas as crianças estavam penalizadas porque chegou um novo morador que tinha somente uma perna, e as crianças ficaram pensando em como seria fazer aula de dança pra ele, então tive que mudar todo o meu roteiro de trabalho por causa desse acontecimento ““.

  1. Formação dos profissionais que atuam no espaço e como se denominam:

Todos os nossos oficineiros são graduados dentro de um dos quatro eixos, e todos são voluntários, somente esse anos pudemos dar uma remuneração a eles que chamamos de ajuda de custo ela é  mensal, de 1 salário mínimo (380.00R$), mas só conseguimos isso graças ao patrocínio a nós concedido pela Faber Castell, antes disso todos trabalhavam como voluntários sem nenhuma remuneração e somente os gestores recebiam uma verba do governo municipal/estadual ( uma ajuda de custo de 500.00R$ por mês ) que eram pra compensar gastos, e nós cinco resolvemos abrir mão disso e usar todo esse valor para dar andamento aos nossos projetos na Ong era um valor irrisório diante de tantas coisas que tínhamos pra fazer mas ajudou durante esses anos dava uma media de 30.000 R$ anuais que usávamos pra tudo desde compra de materiais até compra de brinquedos e material de limpeza, despesas burocráticas enfim.

  1. Profissionais contratados ou Voluntários:

Bom, temos uma média de 80 voluntários, temos cinco gestores, uma secretária executiva e um contador e uma diarista.

Nossa Ong é bem pequena em comparação a muitas outras desses os gestores continuam recebendo essa verba que esse ano passou a ser nossa mesmo por causa do patrocínio nós resolveu não participar da divisão dos valores temos a diarista que pagamos com nosso próprio dinheiro uma “vaquinha” entre os cinco e nosso contador e secretaria também pagamos com nossos próprios recursos.

Mas temos ajudas de outras entidades sem fins lucrativos que nos dão suporte pra qualquer necessidade que não podemos pagar, por exemplo, o SEBRAE, o SENAC, o SESI, o RITS, o SETOR 3, a instituição francesa HOW STUFF, a WORKS, a CERTS, o INSTITUTO IVOZ .

Sempre que precisamos de assistências contamos com nossos parceiros e claro, queridos amigos.

  1. Numero de Profissionais envolvidos:

Eu acho que essa pergunta já foi feita né...

Mas enfim temos uma média de 80 voluntários sendo vinte mais ou menos por eixo e temos cinco gestores que são também os fundadores da Ong, temos um contador que em toda Ong tem que ter está no estatuto, temos uma secretaria executiva e temos também uma diarista.

  1. Processo de Avaliação dos profissionais, dos projetos:

Bom, trabalhamos com projetos que são elaborados pelos próprios gestores com participação ativa e eu diria bem ativa de todos os voluntários claro que cada um dentro do seu eixo, temos reuniões pedagógicas  a cada 15 dias com todos  e daí avaliamos os resultados e fazemos comparativos e temos uma media do que funciona e do que não funciona em cada unidade e com cada faixa etária e temos também nosso conselho de jovens que trabalha conosco em todas as reuniões eles tem opiniões e sempre nos auxiliam.

Depois dessas reuniões feitas o conselho consultivo e diretivo se reúne para fechar algumas arestas que por ventura ficaram abertas e se precisamos de algum recurso financeiro fazemos reuniões com o conselho fiscal, que nos diz como estamos financeiramente.

10 – Capacitação de Recursos Financeiros:

Desde a nossa fundação até o ano de 2006, todos os nossos recursos vinham dessa verba que já lhes contei, dos governos municipal e estadual; Também todos nós temos trabalhos paralelos e fazíamos doações para eventuais problemas financeiros e contávamos sempre com apoio de algumas empresas que sempre foram parceiras, por exemplo, a Johnson e Johnson fornecendo materiais da linha infantil, têm também  o Instituto Ivoz, que trabalha com capacitação para o Terceiro setor então se precisássemos de algum tipo de curso para nossos oficineiros eles nos forneciam gratuitamente temos a rede de supermercados Carrefour, sempre que fazemos festas ou eventos para as crianças eles nos fornecem os alimentos. E claro contamos sempre com as nossas famílias que sempre estão conosco tanto afetivamente e também financeiramente, pois em vários momentos não foi nada fácil.

11 – Conclusão:

Eu acredito que hoje não sei pensar a minha vida sem essa Ong acredito que meu trabalho seja de grande valia para essas crianças que são praticamente proibidas de ter um convívio saudável com seus entes queridos e ter um adulto que seja exemplo pra eles, nossa é uma experiência incrível temos 4 adolescentes que ingressaram na Universidade e uma delas esta fazendo Dança e ela me disse que eu fui um exemplo pra ela, nossa é de arrepiar ouvir isso de uma menina que não teve praticamente oportunidade nenhuma na vida e que superando as expectativas consegue viver saudável mental e fisicamente isso dinheiro nenhum patrocínio nenhum paga.

O que achei mais interessante no projeto quando entrei foi aprender a reconhecer as crianças  como seres humanos, de forma integrada, criando e proporcionando situações que são  fundamentadas no QUERER, SENTIR E PENSAR, respeitando as características de cada criança. Estou adorando estar na Ong cada dia mais  e agora com esse apoio financeiro mais ainda porque podemos fazer coisas mais interessantes ainda, como ter uma biblioteca, ter uma sede um espaço nosso, ter uma brinquedoteca e etc. E  acredito que o caminho para melhorar a qualidade da educação é esse. Só tenho flores para agradecer a oportunidade a minha querida amiga Pritty, a mãe dela e todos os meus queridos amigos que junto comigo fazem uma diferença tremenda nessa sociedade.

Acredito que se cada um fizer um pouco o todo estará completo, eu sempre falo que eu sou a pedra que cai no lago e cada uma das minhas crianças e o circulo que se forma depois de a pedra ter caído e afundado, ou seja, elas é que continuarão a seguir e multiplicar os conhecimentos a elas dados e trocados durante essa nossa insignificante vida.

[i] 1 Clarice Libânio é antropóloga e autora do Guia Cultural das Vilas e Favelas de Belo Horizonte e membro da Ong Favela é isso aí.

Revisado por Editor do Webartigos.com