JOSÉ MARIA MACIEL LIMA[1] 

 

O Filme Tróia, é uma grande produção dirigida por Wolfgang Petersen, pode ser classificado como Drama e Aventura. A obra cinematográfica é baseada no conto épico de Homero chamado “A Ilíada” que narra à saga dos guerreiros em uma guerra sangrenta entre dois Países rivais Tróia e Esparta, que tem como causa/pretexto a traição.

O filme inicia com os troianos em solo espartano, selando um acordo de paz entre as duas nações, que até então eram rivais. Nesta viagem a Esparta, Paris príncipe de Tróia, jovem e sedutor, apaixona-se por Helena, rainha de Esparta e, a rapta. Tal fato é usado como pretexto por Agamenon, irmão do rei de Esparta, para alcançar um de seus objetivos ambiciosos que é era conquistar o império troiano. Assim, uma grande guerra sangrenta está preste a iniciar, na qual heróis lutarão para defender sua pátria e a honra de seu Rei. Agora não é mais só Esparta, mas sim todo o império Grego contra Troia.

Além disso, os gregos contavam com um grande guerreiro Aquiles, filho de uma Deusa, jovem e forte, um guerreiro quase que invencível que é recrutado a defender Grécia. De inicio, Aquiles se recusa a defender o rei, mas se prontifica a defender sua pátria, Esparta. Nesta indecisão, Ulisses um general grego, acaba convencendo Aquiles que, juntamente com seu primo Pátroco, parte para a Guerra. Uma aventura sangrenta que jamais será esquecida.

A guerra inicia, os gregos atacam seus rivais. Porém, Aquiles se desentende com Agamenon e se retira das lutas, os troianos comemoram a vitória nos combates. Para dar um impulso na aventura, Pátroco, usando a armadura de seu primo Aquiles, desafia o campeão inimigo, o príncipe Heitor que o confunde com seu grande rival Aquiles e o mata. Heitor o vence.

Aquiles enfurecido pela morte do primo, vinga-se. Em um combate sangrento, vence Heitor. Este, é morto pelo seu rival e tem seu corpo arrastado perante todo seu exército. Assim, a balança dos combates volta a pender para o lado grego. Aquiles mata Heitor. Mas, as muralhas de Tróia continuam fortes, inabaláveis.

Entre esse e outros acontecimentos a guerra segue. Entre tantos episódios, mesmo em meio à guerra, um ponto que chama a atenção é o amor que Príamo, rei de Tróia, pai de Heitor, demonstra pelo filho no diálogo secreto com Aquiles, no qual, Príamo, ao beijar a mão do homem que havia tirado a vida de seu filho, implora para que devolva o corpo de Heitor, para que este, tivesse um velório digno, a altura do grande homem que foi, enquanto defendia sua pátria. Uma lição que esse episódio ilustra é que: mesmo entre inimigos pode haver respeito, pois durante 12 dias a guerra parou, em respeito ao velório de Heitor, de acordo com o pedido do Rei de Tróia, seu pai.

Entre tantos acontecimentos, há um momento em que a guerra parece ter acabado. Porém, Ulisses, que aparece na história simbolizando a inteligência, tem a brilhante ideia que fará dos gregos os grandes vitoriosos: construir um cavalo gigante e oferecer de presente aos Deuses, sendo que este cavalo era oco por dentro, onde se alojaram dezenas de saldados. A única forma de ultrapassar os portões de Tróia. Em respeito aos Deuses, imediatamente, o Rei de Tróia, ordenou que seus súditos, condizem o “presente grego” ao templo do Deus Sol.  

E foi através do cavalo, que os gregos invadiram Tróia. Ao anoitecer, quando Troia inteira dormia, os gregos invadiram e destruíram a cidade. Com isso, o império troiano cai. Em meio a essa batalha, Agamenon é morto, resulta de sua ambição. Um parêntese, esse episódio lembra um ditado popular “quem tudo quer nada tem”.

Em meio a tantas desgraças, Aquiles também, acaba sendo atingindo por uma fecha lançada por Páris, irmão de Heitor, que acerta seu ponto fraco, o calcanhar de Aquiles. Contudo, diferente de Agamenon, o guerreiro morre de maneira honrada, tentando defender, de qualquer perigo, a bela moça, por quem se apaixonou, Briseida, devota dos Deuses e prima de Heitor.

Ao fim deste ultimo combate, Tróia foi toda destruída pelos gregos, mas ainda assim, cidadãos conseguem fugir e a passagem simbólica da espada troiana, mostra a continuação da cultura troiana.

Para concluir, é importante destacar alguns pontos tratados no filme e que julgo importante, e por isso, merece reflexão. Primeiramente, é importante salientar que o filme se destaca por ser baseado em uma das grandes obras da literatura grega, o conto épico “Iliada”.

De início, podemos perceber como era organizada a estrutura administrativa e política da Grécia bem como sua organização e força militar que se destaca pela sua organização em época de profundo anacronismo. Outros pontos que merecem destaques na obra é a questão da hora, do respeito, da servidão e do amor, pois os princípios que norteavam as condutas dos troianos baseavam-se em: horar os deuses, servi a pátria e amar a esposa.

Desse modo, dos valores mencionados acima, o qual mais se destaca é o patriotismo, pode-se citar como exemplo disso, Heitor e Aquiles. Heitor porque defendeu seu país, pois lutou até ser morto pelo seu adversário. Aquiles mesmo odiando seu Rei Menelau, mas ainda assim, defende sua pátria, Grécia. Parece que, dos pilares que orientam os princípios gregos, um se destaca, o patriotismo. 

A exemplo de respeito e integridade, pode-se destacar no decorrer da história a pessoa do rei Príamo, que demonstra ser um indivíduo íntegro, pois manifesta grandes valores como, honra e o respeito que faz do personagem um ser digno e honrado, e isso só pode ser notado, por meio da sensibilidade e não por meio da razão. Quem em meio tanta tragédia agiria movido pela razão?

Outro ponto que merece destaque na obra, é que os gregos atribuíram extrema importância à beleza física, a exemplo disso, pode-se citar Helena, pois sua beleza levou duas nações a guerrearem.

Além disso, a história mostra como a civilização grega muda o ideal ao longo do combate: do ideal físico simbolizado por Aquiles e a inteligência simbolizada pelo brilhante general grego Ulisses. Tal visão é objeto da tradição oral que envolve a Guerra de Tróia. Além disso, o filme retrata elementos fundamentais da tradição grega que envolve os mitos e outros assuntos de extrema importância que contribuiu para construção da humanidade.

Para finalizar esta discursão, mesmo o gênero não permitindo, mas cabe aqui uma crítica à obra, pois ao adequar a história aos moldes exigidos pela indústria cinematográfica, pontos marcantes são deixados de lado, a questão dos costumes da época, como por exemplo, o afeto que Aquiles tem por seu primo, parece ultrapassar as barreiras de um simples parentesco. Assim cabe aos espectadores fazerem suas leituras e inferências da obra.

 

[1] Professor da rede Estadual de Ensino, Licenciado Pleno em Letras/Português - UFPA, Letras/Espanhol-UNIUBE, Letras Inglês-UFOPA, Graduado em Filosofia pela FPA, Especialista em metodologia de Ensino de Filosofia e Sociologia-UNIASSELVI e Ensino de Língua Espanhola-UNICAM. E-mail: [email protected].   

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