INTRODUÇÃO

Falar sobre Exu / Guardião é complexo até pela imagem que foi criada sobre eles, como sendo o demônio católico e também por serem eles execrados nas igrejas evangélicas e pentecostais (assim como em todas as dissidências da igreja Católica) como o verdadeiro "Coisa Ruim". Na cabeça daqueles que praticam a ciência ou são dados à leitura, fica no mínimo complexa a idéia de que um ser, entidade, ou seja, lá o nome que se dê, possa ser "boazinha" na Umbanda, mais ou menos no Candomblé e o demônio nas demais religiões. Este paradigma não é muito fácil de ser compreendido, pois há religiões diversas usando um nome único para espíritos / entidades variadas, fazendo com que fique muito difícil a separação do nome ou palavra "exu" de seus diversos significados ou símbolos.
Iniciando com a origem do termo Exu, que na África tem um sentido bastante diferente daquele usado na Umbanda. Exu é um orixá africano também conhecido por: Esu, Eshu, Bará, Ibarabo, Legbá, Elegbara, Eleggua, dentre inúmeros outros termos dentro das diversas línguas ou dialetos africanos. Ou seja, há significado para todos os gostos. Na África, Exu é um ser mitológico, com poderes sobre tudo e todos, fazendo o que seus cuidadores pedem: o bem ou o mal.
No Brasil, mais especificamente na Umbanda, os Exus / Guardiões são espíritos de pessoas que tiveram uma ou mais encarnações no erro e excessos, mas que após algum tempo na erraticidade (nos umbrais) e depois de muito estudo, adquiriram o direito de se manifestarem na Umbanda como Exu / Guardião. O ser humano ao desencarnar passa a ser chamado por EGUN, os eguns que partem para a prática do mal, são chamados de KIUMBAS, desta forma, todos os kiumbas são eguns, porém nem todos os eguns são kiumbas. Os eguns que optam por trabalhar na senda do bem, após longos anos de estudos e muita experiência na prática do bem, são elevados ao grau de Exu.
Voltemos ao século XV, quando os primeiros católicos começaram a chegar
às aldeias / nações (no sentido cultural e não político) africanas e viam por todos os lugares em que os nativos se reuniam para praticar seus cultos religiosos, a imagem de um ser horroroso, (mal) feito de argila, e sempre com um falo imenso e ereto. Essa deidade estava presente na entrada de todo local reservado para práticas religiosas. Exu era também considerado o responsável pela criação e como tal, o órgão responsável pela reprodução deveria ser destacado e cultuado.
Mais ainda, ao praticarem seus cultos religiosos, os nativos usando suas roupas multicoloridas (ou sem roupa com os corpos pintados), dançavam, cantavam e entravam em transe. Eles se divertiam... Isto só poderia ser coisa de 2 Satanás. Pois na compreensão daqueles religiosos, representantes da igreja Católica, os cultos a Deus tinham que ser como nas suas igrejas: envoltos no marasmo e na sonolência, o padre sempre falando em latim estando os fiéis entendendo ou não, e com uma ritualística própria e imutável. Ambiente soturno com ar de tristeza. Estes religiosos vendo aquela alegria toda não conseguiam entender. O que resultou na seguinte conclusão: "O que eu não entendo e vai contra aquilo que creio ser correto, passa a ser coisa do Tinhoso --- se não está comigo, está contra mim." Mais recentemente os estudiosos das culturas africanas descobriram na Mitologia Ioruba, a estória sobre a origem de Exu. Segundo esta mitologia Exu foi criado antes dos demais orixás e com inúmeros poderes junto ao criador Olorum (Deus na língua ioruba). Afirmam que ninguém chega ao Pai Olorum sem antes passar por e ter a permissão de Exu. Para aqueles que interessarem neste assunto, o médium e escritor e criador da terminologia "Umbanda Sagrada", Sr. Rubens Saraceni, tem uma infinidade de livros sobre a gênese dos Exus, "criando / destacando" (?) inclusive um Orixá Exu, uma Orixá Pomba Gira e um Orixá Exu Mirim. A maioria de seus seguidores e também os administradores dos diversos Colégios da Umbanda Sagrada possuem escritos sobre o tema, assim como ministram aula com esta temática.
Ramatís, na psicografia do Sr. Norberto Peixoto, escreveu diversos livros, mas falou apenas en passant sobre os Exus / Pombagiras ou Guardiões. No entanto, após Ramatís ter se "despedido" do Sr. Norberto Peixoto,1 ele passou a escrever vários livros dando um enfoque mais africanista Nagô / Ioruba à Umbanda praticada por ele no terreiro que dirige. Dentre estes escritos, está o livro EXU - O poder organizador do caos livro de difícil leitura com uma linguagem confusa.
Poderíamos dizer que é quase um resumo da teogonia desenvolvida pelo Sr.
Rubens Saraceni, seguindo a mitologia Nagô / Ioruba, que como toda mitologia é inverossímil. Exu é incriado; foi desprendido de Olorum, ou seja, é Divino, mas ao manifestar nos terreiros, são espíritos errantes...
Nos escritos de Robson Pinheiro, na psicografia de Ângelo Inácio, encontramos o que a meu ver é a descrição mais racional e compreensível sobre nossos amigos Exus / Guardiões.
Mesmo nos dias atuais, Exu é a entidade mais incompreendida, pois em várias casas ditas de Umbanda manifestam-se eguns (espíritos desocupados, voltados para a prática do mal) como sendo Exu, que fazem qualquer coisa em
1 "Se cairmos novamente quem nos acompanhará desta vez? Resposta emblemática podemos encontrar na história do preto velho Rei Congo, que em vez de ascensionar optou, amorosamente, por tutelar um agrupamento de médiuns fracassados,
"caídos" para um orbe mais baixo na escala evolutiva. Dessa feita, no entanto, nosso incansável e amoroso tutor não nos acompanhará. Por compromissos assumidos diretamente com Jesus, Ramatís reencarnará em nosso planeta, participando diretamente do grande plano para a "salvação" da humanidade esquematizado pelo Governo Oculto da Terra, assim como chegam à Terra, neste momento da consciência coletiva, espíritos das estrelas, cidadãos cósmicos e irmãos galácticos mais velhos, para assumir importantes postos de serviço no lugar dos Mestres da Luz que reencarnarão.
Mediunidade de Terreiro, por Ramatís, médium Norberto Peixoto, página 15, Conhecimento Editora, 1ª Ed, 2014.
3 troca de um pagamento. Os leitores da "buena dicha", religiosos ou não, sempre tem o seu "Exu" de trabalho, que na realidade é um kiumba, disposto a falar o que os consulentes querem ouvir; obviamente por um régio pagamento.
Então o que é Exu? Exu ou Guardião é a milícia do astral, é a luz de Deus nas trevas. Sendo uma milícia, existe todo o processo hierárquico, do soldado raso até o general. Há alguns Guardiões que são responsáveis pela ordem e equilíbrio do planeta Terra (no entanto deixemos este assunto para outra hora). Para se alistar nessa milícia ou quartel, se faz necessário alguns pré-requisitos. Sendo que o principal deles é a vontade de mudar, de arrepender-se de suas peripécias passadas e externar uma vontade "real" de mudança, de aceitação da nova realidade. Lembremos que na espiritualidade o que realmente conta é o merecimento, não promessas...
Desta feita, visando desmistificar os nossos queridos amigos e parceiros de trabalho resolvi fazer um pequeno estudo sobre os Exus e/ou Guardiões, tendo como base o livro Legião, um olhar sobre o reino das sombras, pelo espírito
Ângelo Inácio, na psicografia de Robson Pinheiro, principalmente seu capítulo 8 - Os Guardiões. Capítulo inteiro dedicado a explicar estes incansáveis trabalhadores do astral. Não se esquecendo do segundo livro da trilogia Os Filhos da Luz: Os Guardiões, que explica o processo de treinamento, as escolas existentes e o tempo que se demanda para se preparar o interessado ao grau de Guardião. Não basta apenas querer, e preciso trabalhar e merecer o grau de Guardião / Exu

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