Introdução

O presente trabalho tem como tema, o papel da história na abordagem das ciências humanas em Wilhelm Dilthey. Desde o século XIX até os dias actuais um assunto que se tornou de uma grande importância no meio filosófico diz respeito a relação entre as ciências humanas e as ciências naturais. O que pode se perceber é que o que está em jogo em meio as discussões que vêm sendo feitas é, justamente a problemática a cerca do carácter da cienticifidade das ciências humanas, que contrariamente as ciências naturais parecem, ainda, não satisfazer as exigências de um ideal científico desejado.

O trabalho tem como objectivo geral reflectir sobre o paoel da história na abordagem das ciências, e modo particular, analisar o conceito da filosofia da história, explicar a impotência da teoria da história nas ciências humanas. O trabalho está organizado em subtemas, para melhor situar o leitor.

No primeiro subtema faz-se uma breve contextualização do pensamento do autor. No segundo capítulo aborda-se a questão da filosofia da história. A expressão filosofia da história foi inventada por Voltaire em 1765 quando intitulou de Filosofia de história o prefácio de sua obra Ensaio sobre costumes e o Espírito das nações (…), com essa expressão, Voltaire pretendia designar a história crítica ou cientifica feita pelos historiadores que não recorriam aos arquivos.

Depois de Voltaire, Hegel se apropriou da expressão para conceituar o método filosófico adequado que busca esclarecer o sentido de uma historia universal que compreendesse a marcha do Espírito em buscada da Liberdade. No terceiro capítulo fala-se da importância da teoria história nas ciências humanas.

A história, portanto, é fundamental no pensamento de Dilthey, pois ela desempenha um papel indispensável na abordagem científica dos fatos espirituais. Com enfeito, uma diferença essencial entre as ciências da natureza e dos espíritos reside, justamente, no facto de que nessas ultimas a história constitui um elemento indispensável, até porque é ponto de partida, na construção de conhecimento científico.

Na elaboração deste trabalho usou-se o método hermenêutico, que consiste na leitura e interpretação de textos que versam sobre o assunto ora em análise, coadjuvado pelo método comparativo que permitiu confrontar as diferentes ideias sobre a natureza da história e uma visão mais crítica. 

1.Uma breve contextualização do pensamento de Dilthey

O pensamento de Dilthey foi marcado pelas preocupações filosóficas do século XVIII em buscar fundamentações para as grandes propostas das transformações na organização do conhecimento e nas ciências que dominaram as actividades cognitivas desde o século XVI. Dentre as tendências centrais do século XVIII, Dilthey contesta a influência arraigada da metafísica no pensamento racionalista do iluminismo, a proposta naturalista do romantismo e o posicionamento objectivista do positivismo.

Busca fundamentar a teoria do conhecimento na percepção dos fatos da consciência, em que as coisas do mundo exterior existem para próprio eu e se apresentam à consciência como fatos da vida e da história, constituindo-se das ciências do espírito. A partir do século XVIII a teoria da história foi a aproximada da filosofia, com destaque para obra de Hegel. Tanto que, até recentemente, trabalho teórico era chamado de filosofia da história graça o grande impacto causado pela teoria desse filosofo a cerca da história. 

2. O conceito da Filosofia da história

A teoria da história até século XIX era feita por filósofos, teólogos, filólogos, cientistas sociais “Tinha a nobre missão de ordenar o caos do mundo histórico, por meio de filosofias e meta-narrativas da história, garantindo assim a revelação da verdade. A teoria da história era filosofia da história (REIS, apud SIVA; 2006: 15). A filosofia da história ganhou grande destaque no conceito intelectual europeu, principalmente com a obra de Hegel.

A expressão filosofia da história foi inventada, segundo Collingwood, por Voltaire em 1765 quando intitulou de Filosofia de história o prefácio de sua obra Ensaio sobre costumes e o Espírito das nações (…), com essa expressão, Voltaire pretendia designar a história crítica ou cientifica feita pelos historiadores que não recorriam aos arquivos. Depois de Voltaire, Hegel se apropriou da expressão para conceituar o método filosófico adequado que busca esclarecer o sentido de uma historia universal que compreendesse a marcha do Espírito em buscada da Liberdade (SIVA; 2006: 18). Voltaire tentava mostrar com a história, o desenvolvimento da humanidade operado pela razão ao longo do tempo.

A história seria o local onde o homem colocaria em acção o seu princípio de perfectibilidade. Um pouco antes de Voltaire cunhar o tempo filosofia da história, Vico se esforçava para considerar o conhecimento histórico em bases autónomas, levando em conta as leis próprias do desenvolvimento humano. 

3. A importância da teoria da História

A história, portanto, é fundamental no pensamento de Dilthey, pois ela desempenha um papel indispensável na abordagem científica dos fatos espirituais. Com enfeito, uma diferença essencial entre as ciências da natureza e dos espíritos reside, justamente, no facto de que nessas ultimas a história constitui um elemento indispensável, até porque é ponto de partida, na construção de conhecimento científico. Dilthey foi, de facto, um dos primeiros a levantar o problema da viabilidade epistemológica do conhecimento histórico. Até a sua época, a história era vista como um saber limitado, pois, o seu objecto era visto como algo que desagravava a natureza das coisas.

Segundo Silva (2006: 55), Dilthey acreditava de outro modo, que os estudos históricos poderiam alcançar o estatuto das ciências sem que, para isso, tivessem que se submeter aos padrões teóricos-metodologicos das ciências naturais. Para mostrar, portanto, a especificidade e autonomia do conhecimento histórico era preciso elaborar a sua teoria. Dilthey buscava a correcta compreensão da realidade não só pela perspectiva metodológica, mas, sobretudo por meio de uma teoria de história. O trabalho teórico e histórico em Dilthey é uma coisa só, pois para ele é impossível conhecer a vida humana sem lançar mão de uma ideia norteadora. Para ele, “ (…) a teoria do conhecimento nasceu das necessidades de desaguar-se no oceano das flutuações metafísicas, um pedaço de terra firme, um conhecimento universalmente valido de alguma amplitude” (DILTHEY apud SILVA; 2006: 58).

Para Dilthey, o conhecimento histórico é motivado por uma perspectiva bastante ampla, isto é, o historiador pretende conhecer, de certa forma, o segredo da vida, mas sabe que o seu objecto nunca permitirá alcançar esse objectivo, por isso o historiador deve se contentar com que ele pode compreender: a vida histórica. As “vivencias”, como se fundamentam na unidade da estrutura psíquica e constituem, com outras actividades, o nexo criativo do mundo humano histórico e social. A história-vida tem o seu núcleo significativo no desenrolar da existência humana, na vida da humanidade.

A humanidade é o seu objecto especifico (…) todas transformações permanece como a realidade formada pela “sociedade histórico-social-huana” (DILTHEY apud ILDEFONSO; 2010: 333). Para Dilthey, a estrutura das vivencias e o mundo histórico constituem a base do nexo de ligação da estrutura psíquica com o meio e a realidade natural.

O nexo da vida da humanidade é o elemento central tanto da história como vida, como toda Ciência do Espírito ou da natureza. “A ciência, mediante o conhecimento, suscita na conexão prática da vida uma regulação racional do trabalho; encontra-se assim a mais estreita relação com a praxis, e como também esta submetida a lei da divisão do trabalho” (DILTHEY; 1977: 20). Dilthey evita o subjectivismo psicológico a que poderia levar a cisão entre um âmbito interior da vida psíquica e o outro exterior de manifestações de vida apelando para noção de experiencia comum, da qual deriva o espírito objectivo, ou seja as diversas formas sob as quais o mundo histórico se objectiva na experiencia comum dos indivíduos e nas quais se dá a vivencia da unidade do espírito com suas manifestações.

Diz ele: Em todos os casos, é através da integração numa experiencia comum que se estabelece a relação entre manifestação de vida e a vida mental. Assim se explica por que razão ela esta presente na compreensão de todas as manifestações de vida e porque, sem qualquer processo dedutivo consciente baseado na relação entre expressão e a coisa expressa, ambos os membros do processo se encontram fundidos na unidade da compreensão (DILTHEY apud NOVAES; 2004: 41). Dilthey dá continuidade dizendo que, na actividade do conhecimento, a reflexão tem lugar a partir da experiência das acções da vontade: a verdadeira base dos processos de reflexão que se realizam nessa acção são aquelas experiencia vividas da vontade.

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