O ÓDIO PARTIDÁRIO E A INTOLERÂNCIA POLÍTICA

Os Países que passaram pela guerra civil, não precisam ler e meditar a história dos outros estados para fazer o melhor e evitar o pior. Pois, os seus membros são atores e testemunhas dos conflitos que devastaram as suas conquistas e, repetir a mesma história seria uma tolice, como diria Albert Einstein, que o tolo é aquele que faz a mesma coisa, mas com uma esperança de ter resultados diferentes.

E pergunto! Como pode ter resultados diferentes se você está pisar mesma tecla? Teoricamente diz que quero “Delete” e, na prática preciosa “Shift” com intuito de deletar. É possível “deletar” com “Shift”? E faz isso, repetidas vezes, mesmo constatando que com “Shift”, não “deleta”, continua a pressionar. Digo isto concretamente para os moçambicanos. Pois, este é o momento de tomar a consciência de que, a guerra dos 16 anos, já poderia oferecer aos moçambicanos razões para experiência e sabedoria da prudência. Prudência que tem andado ausente no seio das nossas elites políticas, que tocam o mesmo fio da guitarra usando o polegar, mas com uma expectativa de escutar o som harmónico das seis cordas.

Ora, se a guerra de libertação nacional e a guerra dos 16 anos condicionou a construção de uma sociedade multipartidária, uma sociedade democrática, plural em seus princípios, focados no exercício da liberdade e igualdade entre os moçambicanos de todas regiões, então, a firmemos esses princípios contra a intolerância política, contra a possibilidade do domínio da força, contra o ódio partidário, contra preconceitos regionais, contra violências e contra a impossibilidade do diálogo.

No entanto, numa convivência entre diferentes grupos sociais é imperioso seguir a razão como princípio orientador e, não sentimentos e interesses particulares. Os sentimentos, afetos, interesses particulares são expressões que revelam uma irracionalidade que bloqueia qualquer possibilidade de diálogo entre diferentes grupos sociais. Alias, o ódio entre grupos sociais e políticos é o perfil básico da sociedade moçambicana.

Porém, o ódio encarnou aos moçambicanos como hábito e costume, onde assassinar outro semelhante virou hábito e costume, usar o outro como meio para alcançar seus objectivos, em Moçambique é visto como um caminho eficaz para se realizar plenamente. Negligenciar processos democráticos que possibilitam a convivência civilizada e, igual liberdade para todos, em Moçambique é visto como habito e costume. A verdade é que, o ódio e a intolerância geram incapacidade de conviver com as diferenças, e não só, cegam os grupos sociais e políticos. Porém, nos últimos tempos, os moçambicanos tomam a violência como boa forma de fazer política, ou melhor, a violência e assassinatos, são tidos como a melhor forma de silenciar adversários políticos.

A corrupção por sua vez é tida como hábito e costume. Nesta óptica, ser intolerante é negar-se a si mesmo, assim como a firma (Filgueiro) que uma sociedade intolerante nega-se a si mesma, e não só, é uma sociedade que se apequena nos corações e obscurece a mente. E, eu a acrescentaria dizendo que uma sociedade intolerante é aquela que faz da violência, um método da luta pelo espaço político e pelo poder. E, uma sociedade intolerante não consegue respeitar os acordos e, não consegue respeitar o processo democrático, porque considera a força e violência como solução para resolver os conflitos.

No entanto, o uso da força e violência aniquilam a política e, a possibilidade de estabelecer a tolerância política, aniquilam a liberdade de expressão, a igualdade e, a respectiva república. E quando se aniquila a república, só fica a possibilidade da força e violência. E, em Moçambique, só ficamos com a possibilidade da força e violência, já não temos políticas e muito menos políticos, não temos liberdades, não temos igualdades e, não temos república. Tudo isso foi substituído pela força e violência. E, como resgata-los?

Autor: Rabim Saize Chiria Licenciado em Filosofia pela Universidade Eduardo Mondlane

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