Luiz Henrique da Silveira, nascido em 25.02.1940 (Blumenau), cujos pais eram de São José/SC,   estudou no Instituto Estadual de Educação, e com toda a certeza fez a carreira política mais brilhante dentre aqueles que passaram pela Polícia Civil.

Na sua adolescência costumava jogar futebol num campinho que existia nos autos da Av. Mauro Ramos/Florianópolis (onde hoje está situada a Igreja Universal do Reino de Deus, antes “Restaurante ‘Tiro Alemão’”). O Delegado Jorge Xavier (ex-DGPC) chegou a jogar bola com LHS naquela época.

Podemos citar outros nomes que se notabilizaram no cenário político catarinense e brasileiro e que iniciaram suas trajetórias profissionais bebendo na fonte da Polícia Civil, cuja instituição impingiu formatação singular as suas personalidades e amplificaram para alguns poucos seus horizontes em termos de futuro.

Louve-se que tivemos outros nomes que também passaram pelas fileiras da Polícia Civil e que tiveram ascensão política digna de registro histórico. Sob esse aspecto, podemos citar: Elesbão Pinto da Luz (Deputado Estadual –- Delegado de Polícia/década de 1890:  Blumenau), Irineu Bornhausen Vereador/Prefeito de Itajaí/Governador do Estado/ Senador/ décadas de 1910/ 1920/ 1930/ 1940/ 1950 – Delegado de Polícia/década de 1910/1920 - Itajaí), Lúcio Corrêa (Senador - Delegado de Polícia – Joinville/década de 1940), Tupy Barreto (Deputado Estadual - Delegado de Polícia/décadas de 1950/1960/1970:  Joinville – Blumeunau – Timbó – Mafra – Chapecó), Ulisses Longo (Deputado Estadual - Delegado de Polícia/décadas de 1950/1960/1970: Timbó – Joaçaba - Florianópolis) Livadário da Nóbrega (Deputado Estadual - Escrivão de Polícia/décadas de 1950/1960/1970 – Joinville), Ivo Silveira (Governador do Estado/Deputado Estadual/Prefeito de Palhoça e vereador - Delegado de Polícia/década de 1960: Florianópolis), Heitor Sché (Deputado Estadual - Delegado de Polícia/décadas de 1960/1970: Rio do Sul – Florianópolis), Jair Silveira (Escrivão de Polícia – Xanxerê), Julio Teixeira (Deputado Estadual – Delegado de Polícia: Rio do Sul – Florianópolis), João Rosa (Delegado de Polícia – Joinville) e, por último, Maurício Eskudlark (Delegado de Polícia – SMO e Florianópolis).

LHS Ingressou na Polícia Civil no início da década de sessenta como Escrivão de Polícia (Governo Celso Ramos) e foi designado para atuar no cartório do DOPS.  Trabalhou sob a direção do “Delegado Antonio de Miranda Gomes” que nos autos de seu mais de noventa anos e ainda bastante lúcido foi entrevistado por este autor (1996)  tecendo relatos substanciosos sobre nosso grande personagem.

De forma sucinta , deu para perceber que AMG e LHS acabaram em rota de conflitos de ordem pessoal e profissional, por envolver dois estilos antagônicos: o novo e o velho. AMG (Comissário de Polícia, não possuía graduação em Direito. Foi o único caso registrado na Justiça estadual de um servidor que obrou assegurar “status” de Delegado de Polícia, com os respectivos vencimentos da função sem que integrasse a carreira).  Digamos que como prócere da “Era do Major/PM Antonio Lara Ribas e do Capitão/PM Timóteo Brás Moreira no DOPS na década de quarenta” e que seus métodos já estavam ultrapassados. Já LHS, filho de jornalista, passou a se notabilizar como um estudante universitário ativista em plena época do regime militar (1964), cuja leitura de jornais e “informes” confidenciais eram uma obrigação e imperativo, se somando a isso o contato fértil com colegas de faculdade (jacobinos) que faziam com que respirasse um universo bem maior, sem contar as novas perspectivas que se abriram fora do campo policial civil e a sua percepção pessoal do devido espaço e tempo, onde ele mesmo passou a tecer paulatinamente, vindo a constituir-se num futuro próximo um dos grandes protagonistas no campo político.  

AMG procurou utilizar a condição de estudante de Direito de LHS como informante quanto ao que ocorria no meio estudantil e sobre aqueles que difundiam ideias contra o “novo regime”, assegurando o repasse de “informes” aos “Secretários de Segurança Pública” e Governos do Estado.  Numa das incursões de policiais do DOPS no centro acadêmico de estudantes (Centro de Florianópolis – altos da Rua Álvaro de Carvalho) LHS acabou sendo detido na companhia dos estudantes o que gerou uma situação bastante desconfortante para AMG. Noutro episódio e naquela mesma época o DOPS tomou conhecimento da pichação do nome de “Luiz Henrique – comunista” em um muro residencial no Bairro Agronômica, o que fez com que AMG concluísse que só poderia se tratar de uma denúncia contra o seu Escrivão do DOPS, considerando que também agia como “ativista estudantil” e naquela época já se revelava simpatizante do “MDP”, partido político que se rivalizava com a antiga “Arena”.  Diante desse quatro, a saída de LHS da DOPS (e também depois da própria Polícia Civil por falta de perspectivas e valorização) foi irreversível e sua “cabeça” foi parar na “Delegacia Especializada de Segurança Pessoal” e, por último, na “Furtos e Roubos” onde terminou seus dias como Escrivão de Polícia, auxiliando o Delegado-Capitão/PM Sidney Pacheco (depois Coronel e Comandante-Geral da PM, Deputado Estadual e Secretário de Segurança Pública).

Como Escrivão do DOPS, enquanto AMG cuidava de assuntos operacionais LHS se revelava um  intelectual ( possuía forte influência de seu genitor que foi jornalista), além do curso de Direito onde recebeu forte conteúdo cultural e da ambígua função policial civil em área estratégica (produzia informações sobre doutrinas extremistas) e da atividade estudantil, cujas condições  forjaram de forma indelével sua personalidade para todo e o sempre, contribuindo de forma irreversível para sua trajetória política vitoriosa.

No ano de 1986 quando concorri a Deputado Federal constituinte, juntamente com o Cel. Sidney Pacheco e, também, dos Coronéis  Guido Zimermann e Paulo Freitas (ex-Comandantes-Gerais da PM/SC), dentre outros, tivemos um encontro histórico com LHS na Prefeitura de Tijucas (também estava em campanha para a Câmara Federal). Naquele memorável encontro, dentre outros assuntos de ordem política, LHS me perguntou se eu era filho do Delegado José Ghizzo Genovez, dando para perceber que conhecia e ainda lembrava muito bem de todos os policiais civis da sua época.

Como político Luiz Henrique da Silveira foi notável em vários aspectos. Deixou a Polícia  Civil no ano de 1966 quando se graduou em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina e fixou em definitivo residência na cidade de Joinville. No ano de 1973 elegeu-se Deputado Estadual quando começou sua carreira política e concorreu exitosamente em doze certames eleitorais. Foi eleito Deputado Federal constituinte (1986), Governador do Estado (2002)e Senador da República (2009).

Podemos inferir da sua magnífica história que perdeu a Polícia Civil um Escrivão de Polícia (e talvez um Delegado de Polícia), mas em contrapartida ganhou o Estado de Santa Catarina e o Brasil um político da melhor estirpe, um articulador singular e um visionário.

De seu histórico , não temos dúvida que a Polícia Civil contribuiu em muito para a formação política e profissional de LHS, especialmente, a sua passagem pelo DOPS, de modo que soube utilizar todo o arsenal de informações e o conhecimento amealhado como policial e estudante de Direito para o resto da sua vida quer como advogado quer como político.

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