Academia da Polícia Civil: "Professor Fogaça

Neste mês de junho (2017) a Academia da Polícia Civil  celebrou  o aniversário de titulação do seu nome em homenagem ao Delegado Manoel Antônio Fogaça de Almeida (Lei nº 11.448, de 12 de junho de 2000,  publicada no DOE nº 16.434, de 14.6.2000).

"Professor Fogaça", a bem da verdade, não deixou legado algum escrito, tampouco, uma obra ou algum feito que merecesse destaque. Porém, numa época em que éramos carentes de lideranças e diante do florescimento das primeiras turmas de formandos (final da década de sessenta e durante as décadas de setenta e início dos anos oitenta), estava no lugar certo e na hora certa: promovia com maestria o ensino policial e se notabilizava dentre seus pares com um currículo singular para seu tempo (fez cursos nos EUA), além da sua erudição nas áreas do magistério policial e da criminologia, criando uma aura em torno da sua figura que viceja (e reverbera)  até os dias de hoje (também nos planos mítico e metafórico quanto a carrear elegância na difusão de seus ensinamentos) perante seus ex-alunos e futuras gerações de policiais (até hoje tem seguidores).

Do contato que tive com Fogaça (contemporâneo e amigo de meu genitor) restou mais emblemática a figura do professor (um verdadeiro gentleman), que apesar de jamais ter encarnado a figura de Delegado de Polícia no plano fático, pois logo que foi investido no cargo, pelas mãos de seu amigo e colega da faculdade de Direito/PR (Secretário de Segurança Pública e advogado Jade Magalhães - 1961/1964) foi nomeado Delegacia Regional de Blumenau. Depois disso sempre permaneceu ocupando cargos de confiança nos órgãos da Segurança Pública e Polícia Civil, até terminar seus dias como Secretário de Segurança Pública e se aposentar (1986).

O que a meu ver mais marcou o "Doutor Fogaça" foi realmente o seu "estilo" clássico de ser, existir e transitar especialmente na Acadepol, ensinando e preparando seus alunos para o futuro (também proferindo palestras sobre drogas em universidades e sendo referência para fins de consultas jurídicas por seus colegas), segundo um modelo de polícia  instrumentado no Direito e na legalidade, dentro de padrões técnicos e de modernidade, cujos ares soube muito bem respirar no ensino jurídico e durante seus cursos fora do país.

Assim,  como resultado da sua trajetória existencial e da sua convivência profissional com seus pares (e ex-alunos), apesar de que apenas na memória daqueles que o conheceram, sua vida fala por si e merece ser lembrada e eternizada.

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