Tem gente que se vê da mesma maneira a vida toda, que não acredita que o novo pode modificar sua visão e acaba se fechando para o fascínio do crescimento. Tem gente que morre um pouco a cada dia, porque não se abre ao novo. Não busca, não tenta. Apenas aponta defeitos, reclama, mas não faz absolutamente nada de produtivo para modificar sua própria situação. Tem gente que se acostuma até com o ruim. Verdade, porque a gente se acostuma a viver no desconforto também. E deixa de se sentir incomodado, é porque se acomodou e aceitou o que é ruim na vida. É aquele relacionamento pernicioso onde o sequestrador deixou a gente em um cativeiro sem amor, isolados sob o claustro emocional, na mesmice do pensamento e do sentimento reduzido do momento. É gente que vive com a venda da mesmice nos olhos, na mente, no coração e no espírito. Mas ainda há no mundo pessoas que não consideram a gente pelo pouco que agora podemos fazer e ser. “Ás vezes posso tão pouco agora, não é mesmo? Mas o outro enxerga o muito que eu ainda posso me tornar”.  São pessoas que olham a gente sem a venda da mesmice, que não nos enxergam pelo que a gente é, mas pelo que ainda podemos vir a ser. Elas nos expulsam da zona de conforto (mesmo que seja ruim, porque a gente se acostumou ao mísero, ao pouco, ao reduzido). E é bonito que pessoas com essa autoridade afetiva sobre a gente descubram, ainda que de maneira rápida e passageira, que a gente pode também levar isso a quem passa pela vida, a quem cruza a estrada, a quem chega no caminho da gente. Sim, ser ponte é possível, mesmo que teus alicerces estejam ruídos, abalados, um pouco gastos, empoeirados pela vida, pelas dificuldades, pelas decepções, pelas frustrações que foram se acumulando e pesando... Abrir os olhos, a mente, adentrar com respeito e carinho no coração, tocar a alma das pessoas para o bem que elas podem ter, ser, conseguir, conquistar... É cativar, mas principalmente, cultivar o desejo de ser melhor, através daqueles que passam pela gente. Despertar o desejo de viver melhor. Mais leve e menos rancoroso. Quem sabe você não precise viver o processo inverso? Sim, você precisa buscar sua melhor parte, a palavra que você tanto diz ao outro, que um dia terá coragem de dizer a si mesmo. Não é justo você oferecer ao outro e não desfrutar dessa beleza. Ofereça flores, mas sinta também o perfume delas que ficou nas tuas mãos. E assim, você encontrará aquilo que um dia já te despertou, teu maior bem, as riquezas do teu coração, as belezas da tua alma, os dons do teu espírito.

Revisado por Editor do Webartigos.com