Segundo Monsenhor Pizarro, a devoção de São Roque foi introduzida em Paquetá por Manuel Ferreira Camelo, que foi quem construiu a capelinha original desse santo, em 1698.

Ela foi inaugurada e benta nesse mesmo ano, no dia 24 de Novembro, pelo Padre Manoel Antunes Espinha, que era então vigário da igreja de N.S. da Piedade, em Magé, a qual, administrativamente, estava subordinada à Ilha de Paquetá.

Conta-nos a história que São Roque nasceu em Montpellier, na França, no ano de 1295 e que era filho de um nobre fidalgo, chamado João, e de Libéria, mulher acostumada a longas e continuadas orações, que frutificaram na vocação religiosa e na prática da piedade do seu filho.

S.Roque ficou órfão aos 20 anos de idade e desde então distribuiu todos os seus bens entre os pobres e dedicou-se a ajudar os enfermos e, em especial, aos atingidos por epidemias, como a peste que, naquela época, se espalhava por toda a Europa.

Consta que êle também veio a ficar doente e que para não ser molesto a ninguém, arrastou-se até um bosque próximo aonde havia uma choupana abandonada e resolveu ficar ali até que aprouvesse a Deus restaurar-lhe a saúde. E foi então que aconteceu um fato surpreendente e que é considerado o primeiro grande milagre desse santo: 

Todos os dias um cão retirava da mesa do seu dono, Gotardo, um pão, que carregava entre os dentes e levava para S.Roque, para que lhe servisse de alimento e, assim, a sua saúde pudesse ser restaurada. Um dia, Gottardo resolveu seguir o seu cachorro e foi então que encontrou S.Roque, a quem acolheu na sua casa até que êle se restabelecesse completamente. Dizem que onde houvesse qualquer epidemia, a simples chegada de S. Roque fazia com que ela fosse debelada e foi por isso que êle ficou conhecido como protetor das doenças epidêmicas e, em especial, da peste. 

São Roque é comemorado no dia 16 de Agosto e a origem da sua festa em Paquetá  está também envolta numa atmosfera lendária: 

Se Manuel Ferreira Camelo foi o introdutor da devoção de S. Roque em Paquetá, consta que D. João VI, o Príncipe Regente de Portugal, teria sido o fomentador da sua festa quando, em 1808, vindo à nossa Ilha para fazer uma promessa a S. Roque, que era o santo da sua devoção, encontrou um grupo de fiéis, ao redor da capelinha, discutindo a respeito de como poderiam fazer para conseguir os melhoramentos de que ela precisava e consta, então, que D. João VI, por essa razão, instituiu um Decreto Real pelo qual, todos os anos, naquela mesma data, deveria ser realizada uma quermesse cuja renda reverteria sempre para as benfeitorias necessárias para a preservação da capelinha do seu santo protetor e, desde então, tem acontecido assim. De um modo geral a Festa de São Roque é sempre realizada na semana de 16 de agosto, na Sexta, Sábado e Domingo daquela semana, mas muitas vêzes já aconteceu dela durar muito mais tempo como, p. ex., em 1979, quando foram 15 dias de festejos, com a participação de grandes nomes da música popular, como Silvio caldas, Elizete Cardoso, João Nogueira e muitos outros, além das tradicionais barraquinhas com quermesses, prendas, rifas, gulozeimas, brincadeiras, corrida de bicicleta, procissão e missa solene na capelinha do santo padroeiro: tudo com muita música e fogos de artifício.

No século passado essa festa era uma das principais atrações populares do R.J., com afluência de centenas de barcos e de faluas embandeiradas e garridamente engalanadas com flores e folhagens, fazendo afluir gente dos lugares mais distantes, mas hoje os costumes mudaram e a própria festa também mudou. Mudaram o seu colorido, o seu ritmo e as suas atrações ... Mas ainda participam dela todos os saudosistas, curiosos e adeptos dessa devoção e ela continua a ser uma festa muito bonita e que concorre  com as demais atrações da vida moderna.

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