Rabim Saize Chiria (Filósofo Moçambicano)

  Introdução

O presente trabalho tem como tema “ a essência da concepção materialista da história em Karl Marx. A pesquisa tenta fornecer a essência do conceito materialismo histórico, sua diferença com as outras ciências, sobretudo as teorias pré-marxistas sobre a sociedade que tinham um defeito comum de desaguar no idealismo. O materialismo histórico consiste no facto de analisar a vida da sociedade a partir das posições filosóficas.

Objectivo geral é de analisar a essência da concepção materialista da história em Karl Marx e, modo particular discutir a questão do materialismo histórico e o seu objecto; identificar a diferença que existe entre o materialismo histórico e o idealismo; e por fim explicar o modo de produção: base material da vida da sociedade.

O trabalho está organizado em subtemas para facilitar o trabalho do leitor. O primeiro subtema fala sobre o materialismo histórico e o seu objecto de estudo. Segundo esta teoria, quem faz a história é o homem que vive, mas para viver é necessário satisfazer algumas necessidades materiais. O homem é um ser lançado na natureza, que para sobreviver é necessário transformar a natureza em seu benefício, produzindo bens e serviços. Quanto ao objecto: a essência do homem é o seu lugar no mundo actual.

No segundo subtema, aborda-se a questão da diferença entre o materialismo e o idealismo. Neste contexto, o idealismo é uma teoria que considera, o mundo como algo dependente do princípio ideal. Os materialistas acreditam que na sociedade actuam os homens, que possuem a sua própria consciência e vontade. Na sua actividade tem objectivos determinados.

No terceiro subtema discute-se sobre o modo de produção: a base material da vida da sociedade. Marx e Engels a creditam que, quem faz a história é o homem que vive, mas que para viver precisa de preencher certas necessidades naturais ou materiais. O homem é um ser lançado na natureza, que para subsistir precisa de transformar esta natureza, produzir bens e serviços – essas acções são na realidade momentos históricos.

Na elaboração deste trabalho usou-se o método hermenêutico, que consiste na leitura e interpretação de textos que versam sobre o assunto em análise, coadjuvado pelo método comparativo que permitiu confrontar as diferentes ideias sobre a natureza da história e uma visão mais crítica.

2. O materialismo histórico e o seu objecto de estudo Neste primeiro subtema vai-se começar por abordar o conceito do materialismo histórico e o seu objecto de estudo.

O materialismo histórico é a parte da filosofia marxista que se dedica ao estudo da vida da sociedade, ou seja, o materialismo histórico consiste na tese de que não é o Espírito, a Ideia ou Razão que faz a história ou constitui o princípio de todo processo histórico, mas sim os homens reais nas suas relações sociais cujos fundamentos, por sua vez, se encontram na base económica ou produtiva. Esta tese é assim colocada por Marx e Engels.

Contrariamente as outras ciências: “o materialismo histórico analisa as questões gerais do desenvolvimento da sociedade no seu conjunto: a estrutura da sociedade, a interacção entre os diferentes aspectos da vida social, as suas leis mais gerais e as forcas motrizes do desenvolvimento da sociedade” (MARX apud BERBECHKINA et all; 1987:7). A singularidade do materialismo histórico consiste no facto de analisar a vida da sociedade a partir de posições filosóficas.

O objecto do estudo do materialismo estóico é: a relação entre o espontâneo e o consciente, o objectivo e o subjectivo no processo histórico; as forças motrizes do desenvolvimento da sociedade; a essência do homem e o seu lugar no mundo, etc. Por isso o materialismo histórico é a ciência filosófica sobre a sociedade e parte integrante da filosofia marxista-leninista (Ibidem, 7). O materialismo histórico, no fundo, é a teoria sociológica geral do marxismo-leninismo, pois analisa as leis gerais do funcionamento e desenvolvimento da sociedade como um sistema íntegro, neste contexto, esta teoria não esgota no todo o conteúdo da sociologia marxista-leninista.

A particularidade fundamental do materialismo histórico consiste no facto de analisar a vida da sociedade a partir de posições filosóficas. A tese central do materialismo histórico é: quem faz a história é o homem que vive, mas para viver, mas para viver é necessário satisfazer algumas necessidades materiais. Ou materiais, o homem é um ser lançado na natureza, que para sobreviver é necessário transformar a natureza em seu benefício, produzindo bens e serviços.

Sucede, por isso, que a filosofia da história de Marx e Engels, exposta na Ideologia alemã, gira em torno desse pressuposto: a consciência ou Ideia, é resultado da vida material do homem, isto é, colocado em outras palavras, a história é resultado do modo de vida material do homem; a história é resultado dos modos de produção de bens e serviços que visam a satisfação das necessidades materiais ou naturais do homem na sociedade. 

3. A diferença entre o materialismo histórico e o idealismo

Ao criar uma nova doutrina, Marx e Engels basearam-se no que de melhor havia produzido o pensamento social progressista ate agora. Antes de Max os filósofos apresentaram muitas ideias correctas sobre o desenvolvimento da sociedade. Neste contexto, todas as teorias pré-marxistas sobre a sociedade tinham um defeito comum: todas eram idealistas. “O idealismo é a concepção filosófica que considera como primário, como base do mundo, algo espiritual, ideal.

Os filósofos diferentes idealistas interpretaram este ideal de maneira diferente: ou como vontade divina, ou como a ideia absoluta, ou com consciência de um indivíduo” (Ibidem, 10). Neste contexto, o idealismo é uma teria que considera, o mundo existente, a natureza como algo derivado, dependente do princípio ideal. O materialismo filosófico é uma concepção do mundo directamente oposta à do idealismo.

Os filósofos materialistas a creditavam que anatureza existia, independentemente da nossa consciência, que era eterna e recusava-se a considera-lo como um produto da criação de algo ou alguém. Consideravam a razão, a consciência humana como um produto do desenvolvimento da natureza. Os filósofos materialistas lutaram de forma decidida contras as concepções idealistas sobre a natureza. (Ibidem, 10). Os materialistas acreditam que na sociedade actuam os homens, que possuem a sua própria consciência e vontade.

Na sua actividade tem objectivos determinados, colocados de antemão e guia-se por certas ideias. Antes de Marx todos consideravam que os objectivos conscientes, as ideias e as opiniões dos homens eram as causas finais de todas as mudanças ocorridas na sociedade, isto é, construíam o factor principal que determinava o desenvolvimento social. “... o materialismo histórico consiste na tese segundo a qual ‘não é a consciência dos homens que determina o ser deles, mas, ao contrário, o ser social deles que determina a consciência deles’”(REALE & ANTISERI; 2005: 177). Neste âmbito, o ser social determina a consciência social dos homens. Isto significa que as novas ideias sociais surgem não casualmente, mas como o reflexo das mudanças que ocorrem na vida material na sociedade: as contradições socioeconómicas agravadas, as necessidades materiais amadurecidas. 

4. O modo de produção: base material da vida da sociedade

A criação da concepção materialista da história pressupunha necessariamente o esclarecimento do papel da produção dos bens materiais na vida da sociedade. Na sua teoria sobre a sociedade Marx e Engels partiam de um facto simples e a todos compreensíveis: Para poder fazer política, filosofia, arte, etc., os homens necessitam em primeiro lugar de comer, vestir-se, ter um abrigo, isto é, satisfazer as suas necessidades vitais. E para obter os bens materiais necessários à vida, é preciso produzi-los. Por isso a produção e a reprodução constante dos bens materiais é condição obrigaria para a existência e o desenvolvimento da história (Ibidem, 43).

Marx e Engels, acreditam que tudo aquilo que os homens utilizam na produção dos bens materiais: instrumentos de trabalho, maquinas, mecanismos, ferramentas, meios auxiliares (edifícios, estradas, canais, energia, combustível, produtos químicos), objectos de trabalho (minérios, madeira, materiais plásticas) são meios de produção. “... Todos os homens devem ter condições de viver para poder ‘fazer a história’. Mas, para viver, é preciso antes de tudo beber, morar, vestir-se, e algumas outras coisas mais” (MARX & ENGELS; 2001: 21). Marx e Engels colocam esta tese como uma tentativa de contrariar o idealismo: quem faz a história é o homem que vive, mas que para viver precisa de preencher certas necessidades naturais ou materiais.

O homem é um ser lançado na natureza, que para subsistir precisa de transformar esta natureza, produzir bens e serviços – essas acções são na realidade momentos históricos. A Ideia não passa, à semelhança do que Feuerbach diz acerca de Deus, uma criação ou produtos do homem material, influenciado pelo mundo exterior ou social. Marx e Engels descobriram a lei do papel determinante do modo de produção de bens materiais da vida da sociedade.

Demonstraram que em cada modo de produção existem fenómenos sociais de determinados. Certas estruturas sociais formam-se em conformidade como o modo de produção existente. O modo de vida dos homens caracteriza-se pelo modo de produção dos bens materiais. Mesmo a consciência social, isto é, o domínio de determinadas ideias na sociedade, é condicionada em última análise, pelo modo de produção. O modo de produção dos bens materiais determina o processo e a direcção do desenvolvimento da história. 

Considerações finais

O mérito de Marx e Engels foi de ter libertado a história duma concepção ideológica como acontece na filosofia de Hegel, para uma concepção virada para praxis, a vida prática dos homens. A história não é mais a marcha do Espírito, pois, esse é produto das relações de produção económica. A história tem como motor as contradições existentes no mundo social e sua respectiva superação. A essência ou causa destas contradições é a vida material. O modo de vida dos homens caracteriza-se pelo modo de produção dos bens materiais. Mesmo a consciência social, o domínio de determinadas ideias na sociedade, é condicionada pelo modo de produção. O modo de produção dos bens materiais determina o processo e a direcção do desenvolvimento da história. Neste contexto, quando o modo de produção dos bens materiais se transforma, transforma-se também a sociedade em geral. 

Bibliografia

ERBÉCHKINA, Z; ZÉRKINE, D. et ell (1987). O materialismo histórico. S/ed., Progresso, Moscovo.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich (2001). Ideologia Alemã. 2 ed., Martins Fontes, São Paulo.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich (1997). Manifesto do Partido Comunista. 2 ed., Editorial Avante, Lisboa.

REALE, G; ANTISERI, D (2005). História de Filosofia: do romantismo ao empirismo. s/ed., Paulus, São Paulo, v. 5. Por Rabim Saize Chiria Licenciado em Filosofia pela Universidade Eduardo Mondlane

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